Dia 6
Diário de viagem

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“STAND AUTOMOTORES LOS AMIGOS”. Olá Alfonso, estamos de volta. Lá veio Alfonso, a escorrer suor, acertando as calças, com cara de poucos amigos. Hoje, não estava particularmente convincente. Mas usava das suas tácticas. Tanto tentava vender o seu prezado Renault 21 ao triplo do preço, garantindo que era viatura para aguentar os cerca de 16 mil quilómetros da nossa viagem e muito mais. Coisa que não podia garantir em relação ao Falcon. Como com a mesma facilidade garantia que o Falcon não era carro para deixar passageiros apeados, fosse na Patagónia, fosse nas estradas difíceis da cordilheira dos Andes. Fosse onde fosse, proclamou, só havia uma regra de ouro para que o carro continuasse a andar: “Aceite y água”. Óleo e água. Como Alfonso já estava a perceber que o Falcon e nós começávamos a desenvolver uma relação afectiva, o discurso adaptou-se de novo. “Es um coche muy fiável. E muy lindo es”. E, disse ainda, tem uma grande vantagem, mesmo sobre os carros mais caros que tem para vender. Se avariar, garantiu Alfonso, toda a gente o sabe arranjar, seja no Perú, seja no Chile, seja na Bolívia, seja logo na garagem da esquina, se houvesse alguma coisa pudesse ter falhado na sua prosápia elogiosa ao Falcon, pelo qual pedia a módica quantia de seis mil 980 pesos, não sujeito a desconto, já que o aumento era sempre uma possibilidade. É que, clássico dos clássicos, havia uma série de pessoas interessadas naquele Falcon.

Aproveitamos para espreitar o interior: Uma colher de sobremesa e uma santinha com dois assistentes milagreiros colada por íman ao tablier de série. Jantes de liga pesada, caixa de quatro velocidades, se por boa-vontade se incluir a marcha-atrás, manete de mudanças ao volante, estofos em nylon, apropriados para saunas em andamento, até por que o sistema de refrigeração estava avariado, tal como como o ponteiro da temperatura, tal como a agulheta do óleo – o “aceite” -, tal como o da temperatura da água, tal como o pedal do acelerador, tal como o botão das luzes, tal como uma das lâmpadas dos faróis da frente, tal como um cilindro dos seis disponíveis do motor, tal como o rádio, as colunas ou a antena, tal como todas as portas, à excepção da porta do condutor, que abre, mas não tranca, tal como nenhuma outra. É um carro que não precisa de ficar fechado à chave. Do interior, dá para abrir uma porta traseira, que do outro lado só fecha. Enfim… decidimos comprar.

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Comentários

4 respostas to “Dia 6”

  1. cyberannie on January 7th, 2008 8:19 am

    je ne sais pas si votre “carrosse” vous amènera bien loin!!!! en fait c’est vous qui auriez du payer Alfonso pour le débarrasser de cette pièce de musée!!!! Bonne route tout de même!!!!!

  2. cyberannie on January 7th, 2008 2:59 pm

    je rectifie une erreur faite dans mon comment précédent: “c’est Alfonso qui aurait du vous payer pour le débarrasser..etc…..

  3. Djali Campos on January 7th, 2008 4:04 pm

    Olá,

    Tenho acompanhado esta vossa viagem, um tanto ou quanto, um tanto mesmo, alucinante. Agora resta saber por onde andam!? Espero que o Falcon vos leve aos vossos destinos, a Santinha pelo menos acompanha-vos. Eu vou de certeza continuar a ler-vos.

    Asta ja!

    Djáli

  4. Joao Mesquita on January 11th, 2008 4:13 pm

    Olá
    Também tenho acompanhado com interesse a vossa aventura, por um continente maravilhoso, onde como diria o outro “já fui muito feliz”, espero que aproveitem ao máximo a grande sorte que têm de viver uma aventura assim, que eu espero também viver brevemente (não sei é quando), por isso desejo-lhes boa sorte com o Falcon, e nao se esqueçam de levar umas garrafinhas de água extra, não vá o motor aquecer…

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