
Grandes dúvidas. Alguém iria tropeçar de manhã? Conseguiria Dani extravasar as suas arte de bate-chapas para o sistema eléctrico do 006? Conseguiria deixar aquele motor como um jovem sedento de estrada? E o rádio? E a lâmpada? E a buzina? Partiríamos hoje? Ou ficaríamos para receber o dono da casa, que chegava do Brasil com um amigo. Uma coisa era certa: Arrumariamos a casa e as malas.
Dani estava com a cara toda cheia de tinta branca, assim como a sua roupa. Suava abundantemente como um Alfonso. E, sem disfarçar um certo orgulho, disse que fora coroada de êxito a sua cirurgia. Lâmpada? Sim. Buzina? Sim. Rádio? Impossível. Motor? Fez-se o que se pôde, “muchachos”. E isso é mais ou menos o quê, Dani? Bom, segundo o diagnóstico do bate-chapas, o 006 tinha um cilindro avariado, o que no seu entender não era nada de preocupante. Desde que se fosse controlando… Deixa-nos adivinhar, Dani: Os níveis de “aceite y água”? Exactamente. Explicou ainda que para arranjar a buzina teve de avariar o isqueiro do carro. Está bem, Dani. Sempre é mais saudável apitar do que fumar.
Ora então, dêem à chave, que havia luz verde para sair com o 006. Grande surpresa, o motor estava aparentemente a funcionar na perfeição, salvo a incomensurável hipérbole. Outra grande surpresa: Mal se ligou o carro, ligou-se a buzina. Antes não apitava, agora era impossível fazer com que deixasse de apitar. Muito bem, Dani. Dani avançou furioso para o volante e pregou-lhe dois murros. Mau contacto, explicou. Precisava de mais umas horas para resolver o enigma que ele próprio tinha criado.
Viagem adiada para o dia seguinte. E nada havia de conseguir parar o 006. Provavelmente, Dani conseguiria. Restou-nos organizar a viagem, rumo ao sul, para longe de Buenos Aires, da burocracia, de Alfonso, de Celia e de Dani, que se mostrava genuinamente preocupado com o estado de saúde do 006 e com um fio que arrancou sem querer, entre os muitos que tinha à escolha por baixo do rádio, que ele só não avariou porque já estava avariado. Restou-nos voltar. E reorganizar o que já estava organizado. As malas estavam feitas. Prontíssimos para o grande teste do nosso Falcon, carinhosamente, 006, com o qual estava em vias de grande desenvolvimento uma relação intensa de amor-ódio.
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Caros amigos,
Só hoje tive a possibilidade de ver este diário. Fiz uma viagem mais curta, 22 dias, em 1998, de Santiago do Chile a Ushuaia. Ficou muito por sentir. Quem sabe um regresso? Regressar é sempre partir.
Seguirei com atenção a vossa viagem.
Muitas felicidades. Não esqueçam o termo na mala do Falcon, para o mate.
Cumprimentos
Elle a pourtant belle allure votre Flcon (si c’est celle qui est photographiée)..J’ai hâte de connaitre et de voir la suite du voyage!!!
Bon courage à tous les trois
Cheeeee! que me reí imenso con las peripecias del Falcon, ustedes no precisam del termo, pero sí de llenar el baúl del coche de agua e azeite!!!
Fuerza y a darle, muchachos!