Táxi!!!! “Por favor, para el camping”. Dez minutos depois três campistas algo desanimados tentavam resistir ao sono, guardando a morada do mecânico, como o mapa de um tesouro. O sono, porém, venceu-nos, mesmo dentro de uma tenda sob um intenso efeito estufa. A escorrer suor, saímos da destilaria de licor de limão. Na recepção pedimos um táxi.
“Muchachos, que tal?” Era o taxista que nos tinha trazido pela manhã. Reparando bem, era um cromo dos raros: Ray Ban, modelo Top Gun, cabelo escasso, mas longo, colado à zona de calvície, um sorriso nervoso e, apanágio nacional, uma simpatia naturalíssima, que não alterou um décibel quando lhe dissemos a morada do mecânico. A pé, a rua do mecânico ficava talvez a cinco minutos. De táxi, demorou o tempo do simpático taxista nos perguntar se éramos “brasilenõs”. Não senhor, portugueses. Muchas gracias. Salut. Felicidades. Adios.
“Hola, procuramos Dualde, el mecânico?” Só podia ser ali pois o pequeno jardim sem relva, onde dentro de uma mini-piscina insuflável chapinhava um miúdo com meia-dúzia de dentes a reluzir ao sol. O miúdo, soubémos um pouco depois, era o filho de Dualde que, em matéria de quantidade dentária, decididamente, puxou ao pai.Dualde estava sentado numa poltrona tipo camping a beber o seu mate. Tinha as mãos sujíssimas da sua arte, esticando-as para nos cumprimentar. Que esperássemos um pouco, que já vinha ter com “nosotros”.
Feito o relato preliminar dos sintomas que apresentava o 006, o doutor Dualde preferiu não emitir relatório sem antes, “in loco”, ver “el paciente”, que se encontrava a coisa de três quilómetros. Toca para a pickup de Dualde, também ela um exemplar histórico ao nível do 006, só que a funcionar como um relógio suiço. Era o menino de Dualde. Mas, dadas as dimensões, não podia saltitar na piscina. E, à frente só tinha um ligar disponível, pelo que os dois elementos restantes teriam de ir atrás, como patrulheiros na Amazónia ou como um gangue somali. Fomos em cruising por Azul até à nossa viatura, temendo o pior, depositando em Dualde altas esperanças. Dualde continuava sorridente a falar do estilo barroco da igreja de Azul, recomendando vivamente que “sacassemos” fotos do interior, alongando-se também sobre a reportagem que o Clarín, periódico da capital, havia dedicado à cidade de Azul e à sua inegável qualidade de vida.
O parque automóvel de Buenos Aires bnão é propriamente não-poluente. O nosso exemplar, comparado com muitos outros que circulam na capital, como em Azul, como nas localidade que deixámos para trás, pode até parecer um veículo saudável. Mas, sobre estas particularidades pronunciar-se-ia o mestre Dualde, que saltou da sua carrinha mal avistou o 006. E, mesmo sem ver os dísticos na traseira, desatou a enunciar as suas características técnicas, do motor ao chassis, das válvulas aos cilindros, elogiando a incomparável resistência do motor do Falcon, coisa que o 006 não estava propriamente a dar o melhor exemplo.
Capot ao alto, tarefa que diariamente acontece três, quatro, cinco vezes. Dualde demonstrava enorme à-vontade, ligando e desligando fios, retirando uma peça aqui, outra ali. “Hummm”, declarou, enigmático. Anda Dualde, não nos deixes nesta ansiedade. É grave, senhor doutor? Tem arranjo? Pode voltar a andar? Não precisa de ficar internado, pois não? Dualde sorriu com os seus dois dentes frontais, cofiou a barba rala e, sem mais delongas, diagnóstico: “Es lo carburador”. Muy bien, muy bien, Dualde. Mas podias traduzir? De regresso a casa de Dualde, foi uma tarde muito bem passada com o capot aberto a receber um workshop de mecânica- Falcon. Dualde, contou, foi durante muitos anos militar. Deu-nos todas as recomendação e mais algumas para que o Falcon resistisse dali em diante. E, com o carburador e o cilindro que estava avariado agora a funcionar em pleno, estávamos prontos para partir de novo. A mulher de Dualde, natural da Nicarágua, veio à porta, para nos oferecer mate. E para explicar que nos entendia muito bem, pois durante muitos anos foi viajante. Só então nos lembrámos que outro dos nossos anjos salvadores, Agustino, que começou por ser o nosso anfitrião da noite passada, tinha prometido que iria arranjar-nos um mecânico. Agustino era a simpatia em pessoa, absolutamente viciado em Manú Chao.
Ao fim do dia, o cansaço era impossível de conter. Restou-nos forças suficientes para fazer um churrasco e preparar a viagem do dia seguinte, em direcção à Bahia Blanca, a coisa de trezentos quilómetros, já relativamente perto da Patagónia. Onde, tudo indicava, um renovado Falcon nos iria transportar. Será? Haja “aceite y água”.

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bravo pour tout: le texte, le diaporama: trés belles photos et musique d’ambiance
continuez aisi à nous faire rêver…..toutefois je suis un peu inqiète pour la Falcon lol!!!!
Adorei as fotos e a música que as acompanha é o máximo!
Boa Viagem!
Granda Jordi….é pá posso por essa foto na minha ferramenta de trabalho…acho que tem um efeito apaziguador quando penso que se o Bill Gates não tivesse nascido eramos todos mais felizes lol
nao admira que o carro ficasse parado, esse carro parece os que eu vi em Havana, mas voces nao se deixem ir abaixo, deve ser uma viagem fabuloza quem me der estar ai, parabens pois quem escreve os textos é fantastico e as fotografias tambem são muito boas, parabens
o blog desta vossa aventura está-se a tornar uma paragem obrigatória
boa sorte!
hola muchachos, al coche hay que bautizarlo con un nombre latino y muy própio, porque la máquina se lo merece, que tal “El Toi.006″, así con mayúsculas.
Él es el dueño de vuestras vidas, señor del asfalto y aventurero empedernido.
Buenas farándulas y sigan así que van rebien!
Vuestro compañero invisible que yá no vive sin este fotblog
Para início de viagem não podia ser melhor.
Qual uma novela, a consulta deste blog está a tornar-se viciante. Grande ambiente, grandes textos, grandes imagens! Isto para não falar das belas gargalhadas que já dei.
Estamos juntos!
Votre blog est fabuleux!!La première chose que je fais le matin c’est d’ouvrir mon ordinateur pour lire la suite de votre épopée…le texte est hilarant et les photos superbes..je travaille “mon portugais”pour mieux me délecter du récit. Bravo Luis!!!!