
Para começar: “Work in progress”, neste caso significa literalmente “Not Working today”. Foi, portanto, um santo “yesterday” o nosso. Aproveitámos para dar o primeiro mergulho no mar, para tostar um pouco nas zonas não tostadas, retirando-nos o tipo de bronzeado só possível em camionistas ou ciclistas, para fazer o mínimo, evitando qualquer sensação de que até isso podia dar trabalho. Procurámos uma praia afastada da “movida” de Puerto Madryn e encontrámos um verdadeiro paraíso, só perturbado pela falta de areia na praia, substituída por pedregulhos e gravilha, o que lamentavelmente nos forçou a aumentar os períodos de manutenção na água e de exposição ao sol.
Na costa de Puerto Madryn, quando a época é propícia pode-se avistar baleias e orcas. Mas, decididamente, não é a época. A não ser que seja a época das baleias avistarem como se comportam em férias os argentinos.Longe da populaça balnear estava-se muito bem. Por isso, até foi possível contar as pessoas que ali estavam. O que deu uma trabalheira. Se a memória não falha, seriam três a vinte metros, mais duas a trinta, mais quatro lá ao fundo, onde havia menos pedra e um chapéu de sol. Foi, portanto, com grande esforço que nos conseguimos acordar para sair, escalando uma duna com mais de três metros, segurando uma toalha e uma garrafa de água, chinelando para o carro como se caminhássemos para a cruz, para regressar a Puerto Madryn, já a pensar com intensidade num gin tónico antes de jantar uma “parrilla” de carnes num restaurante vivamente aconselhado, já não me lembro por quem.
Sei que foi graças a esta dica que conseguimos encontrar o primeiro restaurante argentino onde se come verdadeiramente mal. O mestre “grelhador” tinha ar de poucos amigos e comportamento condizente com o sabor da variedade de carnes do menú, do qual estoicamente fizémos questão de comprovar toda a extensão da falta de qualidade. O homem da grelha, imperturbável, não alterava o seu ar de quem tinha acertado em todos os números do totoloto, mas não tinha feito a aposta. Ainda por cima na posse de um facalhão afiado, que acenava em frente dos nossos narizes, que na circunstância hesitavam em pedir o livro de reclamações.Pronto, pronto. Tudo ficou resolvido mal pedimos um sucedâneo de café, pagámos o que não comemos e fomos… jantar. E assim se passou um dia de auto-folga.
Assim sendo, adeuzinho Puerto Madryn, assim o Falcon permita. É cansativo ver os outros de férias, com as “espaldas” ao solinho, à espera que as horas passem. A coisa de cem quilómetros deste destino de férias fica outro, envolvido por santuários de vida selvagem em parques naturais protegidos. A medida mais importante das autoridades argentinas seria provavelmente protegê-los das próprias pessoas que ali vão de férias. Parece uma contradição? E é. Puerto Pirâmide, na Península de Valdés, é uma contradição com capacidade para albergar milhares de contradições que chegam da capital federal ou de outros pontos da Argentina, assim como dos turistas, que maioria alemães que por ali ficam uns dias, em trânsito para outra parte.
Tudo o que é unidade hoteleira está de lotação para lá de esgotada, assim como todos os hostels, que os residentes improvisam para fazer dinheiro durante o verão.O parque de campismo, sabe-se lá porquê, faz imediatamente lembrar o festival do sudoeste. Excelentes níveis de poeira por toda a parte, tendas montadas sobre tendas, dois pequenos balneários para milhares de pessoas, dispostas em tudo o que é recanto, à sombra, ao sol, onde houver espaço onde caiba uma tenda. Há de tudo no camping de Puerto Pirâmide. As famílias tradicionais, que fazem de tudo para não abandonar o território, se puderem levam televisão, gostam de cozinhar ali mesmo, lavar os seus pratos e a sua roupa e telefonam para a família a dizer que estão de férias. Depois, em grande número, o género “hippie” a transitar em enormes camionetas a cair de podre, as boas das Combi, os de mochila às costas, os fazedores de artesanato, os penetras, os viajantes, os que tocam o “wish you were here” na viola à fogueira, os que levam carregamentos de erva para rir a noite inteira, os que fumam a erva e tocam o “wish you were here”, enfim, o salitre acumula-se nos corpos, o sol acumula-se nas tendas, e todos se acumulam ali, às voltas sobre si próprios. De dia há algumas actividades turisticas que têm a ver com a Península, como as viagens à colónia de pinguins, à colónia de leões marinhos, onde as orcas muitas vezes vêm buscar o almoço.
Tudo é negócio. Negócio ecológico. Na praia, há embarcações próprias para levar turistas aos magotes para avistar baleias, há esqueletos de baleia, ossos de baleia por toda a parte, nesta pequena cidade que um dia viveu da caça à fauna que hoje é obrigada a proteger. Longe, no observatório, ninguém percebe que Puerto Pirâmide é um local como tantos outros e que o importante não está ali, mas na Península de Valdés. As colónias de espécies protegidas são hoje um espectáculo, que serve a colónia balnear em que se transformou Puerto Pirâmide, daqueles sítios onde os locais enriquecem em três meses, sugando pesos onde podem. Para o longo inverno que os separa do Verão.
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Bien le choix de cette photo pour ce texte!!! Luis , je te trouve un peu “caustique” pour les Argentins!!!!ils se comportent en vacances comme la plupart des touristes du monde!!!!
Quant au “commerce écologique” c’est leur gagne-pain!!!!est-ce que l’on peut les critiquer?
ceci dit ton texte m’a beaucoup amusée. Continue!!!!
Autre réflexion qui me vient à l’esprit: Quand allez vous nous faire part des problèmes écologiques à travers les témoignages de la population que vous nous avez promis???? je suis impatiente de voir ce sujet traité!!!
Alors les gars au boulot!!!!!
Affectueusement à vous trois
ola pessoal parece que q dormida de voces esteve complicada mas nem por isso deixaram de escrever o diario , pois bem eu acho que muitas vezes para se salvar o planeta tem que haver turista só é pena que deixem ser em excesso bj e continuaçao de boa viagem
peut on espérer une traduction des textes????????????
Sinon les photos sont EXEPTIONNELLES (en toute objectivité bien sûr)
Cyberannie “pone el dedo en la herida”, comparto totalmente sus palabras.
Qué pasa, chicos?!?
Los argentinos no son diferentes del resto del mundo, nos olvidamos que habitamos todos en un planeta llamado Tierra? ….Y que somos TODOS producto de una civilización globalizada?
Para cuando el motivo de ese viaje?
Y las fotografias?