
Não vale a pena teorizar mais sobre o quotidiano de três campistas acidentais ocidentais, que encontram finalmente um lugar debaixo do chuveiro, driblando tiudo e todos, demonstrando até alguma mestria de balneário. Ainda bem, pois era um dia muito importante, que Oscar fez questão de nos relembrar logo pela manhã, quando nos encontrou na estação de serviço. Where else? TÃnhamos encontro marcado na Associação de Portugueses de Comodoro Rivadavia. Quando já estávamos de saÃda das bombas de gasolina, onde já nos recebiam como se estivéssemos em casa, guardando-nos e transmitindo recados, eis que aparece um português, que também é habitante de Comodoro, mas nem por isso se sente parte plena da comunidade, embora nela tenha alguns amigos. Tinha ouvido a nossa entrevista na FM Plus, 95.1, e resolveu procurar-nos apara apresentar cumprimentos pessoalmente.Manuel Orlando dos Reis, algarvio, tem 77 anos. Veio com o seu pai para Comodoro Rivadavia ainda criança, no tempo em que ali não havia nada, só dificuldades e torres de extracção de petróleo. Há coisas que não mudam, portanto. Quando chegou à cidade era de noite. E, assustado pelo conjunto de circunstâncias e pelo desconhecido do sÃtio, para onde veio contrariado, viu ao longe luzes a brilhar na escuridão. O pai disse-lhe que eras as luzes dos arranha-céus. Manuel, nessa sua primeira noite de Comodoro, adormeceu mais contente, julgando que, afinal, tinha imigrado para a civilização. A manhã, porém, disse-lhe o contrário. O pai não foi capaz. Cedo percebeu que não havia nada, no sentido em que tudo havia para fazer. O seu pai trabalharia na extracção de petróleo. O miúdo seguir-lhe-ia as pisadas. Manuel viajou por todo o mundo, muitas vezes clandestino em barco da Marinha Mercante, muitas vezes em cidade e paÃses que lhe eram desconhecidos.Manuel dos Reis não tem problema nenhum em afirmar o seguinte: “Tenho muitos inimigos em vida. Há muita gente com inveja. Tenho mucha plata”, diz, esfregando o indicador no polegar. “Tenho milhões, não me importo de dizer isto. E não deixo que ninguém, sejam portugueses ou não, me ultrapassem no negócio”. Petróleo, senhor dos Reis? “Claro”. Claro. Exploração? “Não é bem”. Manuel dos Reis é o rei da sucata petrolÃfera. Vende peças para as máquinas de extracção e tem uma frota pesqueira. Enriqueceu assim.
Antes de convidar-nos para almoçar amanhã - convite aceite, que não o óleo do motor -, ainda teve tempo para dizer que tem um Mercedes na garagem, ao qual confessa que não dá grande uso e um jacto de oito metros. “Estou sempre a viajar. Conheço o mundo inteiro, sabiam?” Não, senhor dos Reis. “Neste século sou talvez o português com a história mais incrÃvel, acreditem…” Bom, señor dos Reis, a verdade é que este século, embora prolÃfero em acomtecimentos, ainda não tem grande história. Mas é sempre bom ouvir um português a asumir a sua grandeza. E, dita a coisa com tanta veemência, é evidente que estávamos dispostos a ouvir o que tinha a contar sobre ele próprio. Mas isso, se o senhor dos Reis não se importasse, ficaria para depois. “Com certeza, chicos. Querem peixe ou carne para o almoço?” Bom… para não variar, pode ser carne. E, dada a informação disponÃvel sobre os despejos contÃnuos na zona, sobretudo no mar, sim, podia ser carne, mister dos Reis, muito obrigado pelo convite.Saiu dos Reis, entrou de Brito, Oscar, que estava no intervalo do seu trabalho. “Que tal?” Muy bien, Oscar. O que tinha preparado para “nosotros”, para além do encontro de logo? Pois bem, Ãamos falar ao telefone com Carlos Omar, jornalista radiofónico, de uma rádio concorrente à de Maria Amado. E, apesar de Carlos e Maria serem ambos algarvios, hoje em dia, decididamente, não vão juntos aos figos.Carlos ao “teléfono”, disse Oscar. Carlos, já tinha explicado Oscar, está seis meses em Comodoro Rivadavia e outros seis em São Brás de Alportel, de onde saiu o primeiro imigrante para Comodoro, de onde têm raÃzes quase todos os elementos da comunidade portuguesa que nos esperavam um pouco mais tarde. Mas, sobre isso, o Falcon teria palavra importante.”Alô Carlos, tudo bem?” Óptimo, Carlos estava óptimo e prontÃssimo para nos fazer imediatamente uma entrevista. “Atenção, que vai entrar em directo dentro de segundos”. Está bem, Carlos, tu mandas. “Pode ser em castelhano?” Pois com certeza. “Com sotaque argentino?” Vamos a isso, Carlos. Fiz o melhor que pude, no castelhano que pude, o que não está de todo mau. Provavelmente, apenas mau. Disse ao que vÃnhamos, quanto tempo ficávamos, para onde Ãamos, quando voltávamos a Portugal. Carlos disse - mentiu claramente -, quando disse que o meu castelhano era excelente e que eu passava perfeitamente por argentino. E, pronto, um grande abraço ao Carlos e ao seu fabuloso auditório.

Mais tarde, mais próximo da hora do encontro com os representantes da comunidade portuguesa de Comodoro, que Oscar avisou logo que não seria possÃvel reunir todos, nem as instalações, novinhas em folha, com um belo jardim e azulejaria com a imagem da Torre de Belém e o inevitável busto de LuÃs Vaz de Camões em lugar de destaque. O Falcon falhou. Alguma vez havia de acontecer: ficou sem nafta, o que nos obrigou a uma viagem pedestre até à s bombas de gasolina mais próximas, que não estavam propriamente perto. De regresso ao carro, o nosso franciú resolveu demonstrar como é possÃvel, chupando num tubo, retirar gasolina de uma bidão, para o depósito. Ficou um hálito magnÃfico a gasolina e com um certo receio em acender cigarros. Mas o carro andou.Estavam todos à porta, recebendo-nos de braços abertos, encaminhando-nos para o interior, para o salão de festas, onde também acontecem as ocasiões mais solenes. Estava uma série de meses, dispostas em “U”. Nós ocupamos lugar central. Ao meu lado, no centro do centro, claro, a nossa presidenta da Associação de Portugueses de Comodoro Rivadavia. E a conversa prosseguiu, de inÃcio sem disfarçar alguma formalidade, depois mais escorreita, depois mais solta, finalmente descontraÃda. Ouvimos destes protugueses o que eles pensam dos portugueses que ficaram em Portugal e do Portugal que lhe é fornecido pela RTP Internacional, junto com a Internet, que nem todos dominam, é o único vÃnculo ao paÃs que deixaram. O que mais sentem é mesmo o abandono a que Portugal os votou neste lugar recôndido da Patagónia central. Nem os governos, nem os presidentes que estão e passam, lhes conseguiram dar algum sentimento de aproximação. Já que é apenas isso que querem. Também seria bom, para se manter o laço mais importante de todos, a lÃngua, na boca das gerações que já nasceram em Comodoro Rivadavia.

O ideal, portanto, seria mesmo um professor de português, já que o português que hoje se aprende na cidade é graças à gentileza de uma brasileira, que tratou de fazer essa funçãom gratuitamente. A “presidenta” tomou a palavra, em tom algo gravoso, para dizer que os diversos contactos que a associação tenta fazer com o Governo português têm todos caÃdo em saco roto. Os portugueses que ali vivem estão perfeitamente conscientes que a cidade vive do petróleo, mas o petróleo não lhes dá a vida que eles precisam. “Mas isto está inteiramente dependente de nós. Somos nós que temos de lutar para que esta seja uma cidade melhor”. Nesse sentido, têm tanto apoio do governo argentino como do governo português. Depois, as perguntas a nós, como achavamos que estava o Portugal de hoje, para onde achávamos que o paÃs caminha, se achávamos que se, por acaso quisessem regressar - o que não acontece -, se havia lugar para eles ao sol. A apreciação não foi muito motivante, confesso, nem podia. Mas quanto ao regresso, havia que contar que Portugal é hoje lugar de engenheiros bioquÃmicos ucranianos pendurados em andaimes, de brasileiros que são porteiros de discoteca ou nas esplanadas ou nos centros comerciais, gente que vem de todo o mundo das dificuldades para as reencontrar em Portugal. Enfim… a “presidenta” mandou trazer umas cervejas de lata e umas sandwiches de “jamon y queso” para animar. Duas horas depois estávamos a assinar o livro de honra da associação, sob flashes de cãmeras fotográficas digitais, mais parecendo os novos reforços da equipa de futebol de Comodoro Rivadavia que, através destes portugueses, que já são plenos argentinos, asseguraram termos deixado ali amigos, quando fechámos a porta do Falcon para regressar ao parque de campismo. A manivela do vidro caiu.
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Esse Falcon está a ficar perito em vos pregar partidas
Quel esprit de convivialité!vraiment trés attachants ces Portugais du bout du monde!
Même si le fait d’afficher sa richesse peut choquer certains,je comprends trés bien la fierté de Manuel dos Reis qui n’a pas toujours eu une vie facile et qui doit sa réussite à son travail
Bravo pour ce reportage trés “humain”
la petite séquence photographique nous permet de voir que vous êtes tous les trois en forme!!!
Bisous
cada vez me orgulho mais de ser portuguesa, assim é que é rapazes, voces estão optimos e cada vez com mais bagagem parabens e muitos beijinhos para esses portugueses que vos trataram tao bem beijinjos para voces
Desde Comodoro Rivadavia vamos a estar con ustedes durante todo el viaje , suerte y espero que haya sido positiva la estaria en la ciudad.
Grande viagem sempre a rular, boas sortes para voces, mas principalmente para quem mais precisa.. o falcon..
Ora bem, as fts estão muito giras pricipalmente akela de grupo!!!!!O texto tb tá mt giro e escritor tb!!!!!!
PS:O escritor podia por 1 bokado de protector solar n????:D Bjks grnds para tds!!!!PRINCIPALMENTE PARA O ESCRITOR!!!!!
Estão atrasados 4 dias… Espero que não seja por causa do Falcon… Abraço - CM
É pá!!!Vocês são muita giros!!!Que pães!!
Quem me dera ser puinguino!!
É verdade pá, não são nada maus…Quem é o altinho??O outro também é fixe!! e o 3º!!?