
Último dia em Comodoro Rivadavia. Não havia entrevistas para dar, o Falcon estava a abarrotar de nafta, higiéne “au point”, céu pouco nublado ou limpo, vento moderado ou fraco, mar de pequena vaga, sol aprazÃvel, suficiente para continuar a demarcar nos pés o formato do chinelo. O boletim meteorológico estava a nosso favor, tudo se proporcionava para que o dia fosse de grande tranquilidade. TÃnhamos marcado para as 13 horas, “justo”, o nosso encontro com o português do século. Na estação de serviço de Rada Tilly, evidentemente. Antes, porém, uma inauguração, com pompa e circustância num bairro pobre de Comodoro.
Onze e tal. A ocasião solene impunha aos locais fatiotas de casamento, tão confortáveis neles como um cavalo a fazer patinagem artÃstica. Uma lápide, ainda por desterrar e um forte aparato mediático esperavam a presença de, nem mais, nem menos, que o próprio governador da provÃncia de Chubut, Mário das Neves, filho de portugueses, precisamente regressado de uma visita oficial a Portugal, onde selou acordos de geminação entre Puerto Madryn e Ponta Delgada, a capital açoriana da ilha de São Miguel, por em ambas se avistar baleias. Ainda um acordo, em fase de negociação para a exportação de petróleo para Portugal. Aliás, o Diário Patagónico anunciava em parangonas que a visita do governador a Portugal, onde teve como ponto alto o encontro com o presidente Cavaco Silva, tinha sido um sucesso, só compatÃvel com a visita que se seguiu, a Espanha, com os responsáveis da Repsol, que já comprou parte da petrolÃfera argentina.
A inauguração decorreu como certas inaugurações em Portugal, como certas inaugurações na Europa, como certas inaugurações no resto do mundo, onde, claro, a América do Sul jamais seria excepção. Estavam todos, portanto, à espera do excelentÃssimo senhor governador, que estava atrasado. O teatro estava todo preparado: Crianças a tocar tambores, senhores e senhoras com trajes de gala, com sorrisos amarelos, sabendo que as “vivas” que iam dar dentro de momentos ao governador não iam passar de vivas ao vento, até porque Comodoro é a capital do respectivo. A coisa estava aparentemente organizada ao detalhe, já que o agrupamento era multifacetado. Tinha desde os gaúchos tÃpicos, com os seus chapéus côncavos, aos trajes regionais com facas atrás das costas, até à s crianças com enormes cartazes de apoio ao governador mal ele aparecesse no perÃmetro com a sua comitiva a acenar lentamente ao povo que ainda se dava ao trabalho de vir à porta de casa, para contra-acenar, esforçando-se por não abrir a boca de sono. Pois bem, ouviu-se ao microfone instalado um pouco mais acima da população, em número escasso, só disfarçado pela enorme presença de jornalistas de microfone em riste.
Gáudio, vamos, todos aos saltos, como se Deus tivesse descido à terra a bordo de um jipe topo de gama com os vidros fumados. O Governador, ainda esgotado pela viagem a Portugal, retribuia a boca aberta de sono. E, tornando claro que esse esforço era pela população que nele votou. Esta inauguração era uma estranha inauguração. Era a inauguração da inauguração do projecto das obras de melhoramento que ainda não se sabiam quando iriam ser inauguradas. O governador Mário das Neves tornou o seu discurso breve. No meio da populaça destacava-se o bêbedo do sÃtio, que tinha chegado com duas garrafas debaixo do casaco e agora só tinha uma. Com o resultado da que já estava entregue à sua alma, foi talvez o mais sincero dos presente, obviamente de “presença”. Acabaria por ser retirado, com uma certa discrição, por seguranças do governador, evidentes como petróleo em cima de gelo. Sendo, assim, que tocasse a banda e que esta seguisse em marcha pelo bairro, para todos se despedirem do governador com o mesmo entusiasmo com que o receberam. Bela peça, esta. Chamámos-lhe: A Inauguração. Sempre em exibição numa casa de espectáculos perto de si.
Seja como for, por causa da inauguração atrasámo-nos. De todo o modo, pontualidade também não é o nosso forte. E, quando chegámos, não era propriamente “justo” 13 horas. E já a empregada da estação, sempre de sorriso escancarado para a Catalunha, se apressava a dar o recado: “Esteve aqui um senhor à procura dos periodistas portugueses. Volta dentro de momentos”.
Entre isto e um café, toca o telefone. Era Oscar de Brito para saber se podÃamos ir conhecer as instalações do clube de futebol local, fundado e gerido por portugueses, com portugueses na equipa principal e portugueses a aplaudir sempre que jogavam, fora ou em casa. ImpossÃvel, Oscar. Mesmo impossÃvel, que nos desculpassem os dirigentes, a equipa e a massa associativa. “Hasta luego”. Se não fosse “luego”, havia de ser “mañana por la mañana, muy temperano, por supuesto”, para nos despedir-mos do nosso amigo Oscar de Brito, sempre prestável a quem tivémos com pena de recusar também um amável convite para jantar em sua casa para provar uns petiscos executados pela sua mulher, lituana de nacionalidade.

Eis que irrompe pela estação de serviço Manuel Orlando dos Reis, em passo acelerado, informando que já estávamos algo atrasados para o repasto em Comodoro. Para espanto, Manuel dos Reis não apareceu nom Mercedes de garagem, mas a bordo de uma versão sul-americana do Volkswagen Golf, no caso Gol, mais que pronto para contar mais de si defronte de uma “parrilla” regada a Norton Malbec, evidentemente tinto. Manuel dos Reis tem muito para contar, mais quando desaparece a primeira abordagem, um tanto ou quanto abrupta e egocêntrica, patra aparecer o homem que vê o tempo fugir e quer fazer tudo o que não fez antes que lhe falte o tempo para que o faça. E pensa morrer onde nasceu, em Portugal, no Algarve, de preferência próximo de Faro, onde pretende comprar casa e descanso.
SaÃmos do almoço com barriga compatÃvel com o depósito do Falcon 006, rebolando para ele, enquanto Manuel dos Reis aproveitava para mostrar umas fotos de viagens que tinha feito, a Sidney, aos Estados Unidos, onde alugou uma limousine por 60 dólares, também em Portugal, numa das vezes que foi a Lisboa. E, convite irrecusável, gostava que visitassemos a sua sucata, até para conhecermos o seu filho Nixon, assim chamado em homenagem ao presidente norte-americano. De estranhar que nenhum dos seus temÃveis cães, guardadores de sucata, não se chame “watergate”. Nixon dos Reis é advogado e vivia em Buenos Aires, tal como os seus irmãos. Mas, há pouco tempo, decidiu voltar a Comodoro Rivadavia e ajudar no negócio do pai.
Manuel dos Reis e a sua sucata e as suas histórias tomar-nos-iam quase todo o dia. Mas, claro, ainda era de dia por volta das 22 horas, quando finalmente o demos por encerrado. Amanhã há mais petróleo. Muito, suficiente para acabar com a vida de uma vila piscatória perto de Comodoro Rivadavia. Um derrame causou em Caleta Córdoba uma desastre ambiental. Desta vez, Manuel dos Reis não tinha peças para vender.
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hum..hoje ta fracoto..amanha ha mais?
Pois está, pá!!!
ainda não viste oo de amanhã,pá!!!
Va pessoal, nada de desanimar…
Pai sigue adelante como siempre!!! con tus sueños y proyectos, siempre en una nueva empresa!
Ciudad de La Plata
Para ese gaucho portugues !!! muchos exitos en sus negocios como hasta ahora!!!
Adhiero mis deseos de que logres cumplir todos
tus deseos y por supuesto sigas siendo el mejor negociante, con astucia para salir a adelante !!
http://www.normadosreis.com.ar
http://www.normadosreis.com.ar
Es muy cierto Manuel supo trasmitir la tradicion portuguesa! norma dos reis ( fadista)
Escuchen los trabajos de norma dos reis, cantante, y vean su pagina en la webb realizada por el nieto de Manuel!!! una familia que prometeee!!!
Entren en you tube a escuchar a norma dos reis, y miren su sitio, trabajo realizado en familia! claro la familia Dos Reis”
Sobrinha de Manuel, um grande e conhecido português de Comodoro Rivadavia. Eu sou neta de portugueses e estou muito orgulhosa de sê-lo e espero voltar algun dia com minha famÃlia para Portugal. Obrigada