
El Camping, pela manhã. Não haja dúvida que Fernando, o dono do parque de campismo, sabia o que fazia na madrugada passada, mesmo na fase crÃtica de copofonia. Tinha corajosamente vindo à frente do Falcon - não é para todos -, a tropeçar em si próprio ou em apetrechos de campista para o sÃtio certo, destinando-nos lugar priviligiado no estabelecimento, à sombra o dia inteiro, com uma cerca por trás e cães selvagens por trás da cerca e ao lado uma espécie de lixeira onde vivia uma famÃlia boliviana, que tinha um galo-despertador ininterrupto desde as quatro da manhã, coisa de uma hora antes da alvorada. À frente estávamos rodeados de famÃlias belgas, muito “clean” e simpáticas, a viajar por mais de dois anos em autocaravanas de luxo, ao lado de um casal alemão de meio-século a unidade, de sorriso forçadÃssimo e algo perturbados pelo peso da sua própria presença. Ainda um casal francês, a bordo de uma autocaravana Citroen, de 1960, - que devia estar a acampar num museu, embora estivesse impecavelmente reconstituÃda -, que desde logo veio ter connosco, ela, ele não.
Veio ela levantar uma questão importante, em castelhano sofrÃvel: De que marca era o nosso “coche”? Bom… a pergunta não era difÃcil, pois eu estava encostado ao capot, a tentar acordar à luz do sol e, mesmo ao meu lado, estava a placa a dizer Ford. Ford, disse eu. De que ano?, disse ela. De 1980, disse eu. E, de repente, gerou-se um daqueles silêncios pesados, próprios de quem não tem mais nada para dizer. Mas os assuntos não estavam esgotados. Quis contar-nos algo sobre eles, queriam que nós devolvesse-mos algo sobre nós. Ela é jornalista da Radio France, ele também é jornalista e tinha um site sobre carros e camiões do mundo, andavam há quatro anos em viagem. Ela julgavam-nos nativos argentinos e não reagiu quando lhe dissémos que éramos de Portugal. Por isso, repeti: Portugal. E… “rien”. Não teria entendido? Estaria amnésica? Portugal. Portugal, aventei de novo. “Ah, ah, ah”, disparou simpaticamente a rapariga. Não aguentei. “Está ali o nosso amigo francês, por que é que não vais lá cumprimentá-lo”. Maldade. Sei perfeitamente que há pelo menos duas coisas que monsieur Pazat não suporta, entre pelo menos três milhões de outras: Uma é encontrar pessoas que, não sendo francesas, gostam de praticar com ele o francês. Outra, é mesmo encontrar franceses.

Que vejo eu? Uma francesa de mão esticada em direcção a um francês que, muito embora sem querer, se movia a todo o gás na direcção oposta. “Oh Gui, está aqui uma conterrânea”. O diálogo entre eles, embora cordial, embora curial, terá durado uns cinco segundos. E “voilá”, lá estava a rapariga de volta, só para perguntar se o marido podia fotografar o carro. Mas com certeza. “Au revoir” e “até já”.
Um pouco mais tarde havia de ter a certeza das minhas suspeitas, quando me dirigi ao casal, dizendo-lhe a ela que lhe devia dizer a ele para investigar a história do Falcon, que em breve faremos neste modesto site, sobretudo a história dos Falcon verdes, inevitavelmente ligados ao regime das perseguições e aos “desaparecimentos” de muitos argentinos, daqueles que ainda hoje procuraram as famosas Mães da Praça de Maio. Diz ela: “O regime de Pinochet?” Então até logo. Infelizmente, não voltámos a falar.

Arriba. Wellcome to El Calafate. Autocarros e mais autocarros a abarrotar descarregam protótipos de turista, de sénior a júnior, nacional e internacional, de abonado a remediado, com camisas aos quadrados sob coletes Coronel Tapioca e calção para a montanha e bota de marca. El Calafate é uma longa avenida, lotada de tudo quanto é preciso e tudo quanto é superficial, só que mais caro. Publicou o órgão oficial da nação, o ClarÃn, que foi em El Calafate que, estatisticamente, o turismo argentino mais cresceu. Cerca de 44 por cento desde o ano passado. Nos últimos anos, a população e o comércio de El Calafate explodiu para o dobro. Haviam cerca de quatro mil residentes, se é que o tÃtulo se pode aplicar na plenitude -, hoje são mais de oito mil. Lojas e mais lojas e mais lojas, material de montanhismo, de alpinismo, de esqui, de trekking, de souveniers sob a temática glaciar, artefactos, artesanato, t-shirts e gorros, e luvas e mais quanto a necessidade procure.

A longa avenida de El Calafate é a avenida da inflacção estival. E tudo gira à volta de quanto, afinal, ali não existe mas é possÃvel visitar. É por isso que os restaurantes têm nomes como Monte Blanco, El Glaciar, as bombas de gasolina Três Glaciares, o supermercado Perito (de Perito Moreno). Tudo, mesmo tudo, tem um programa ajustado para o gosto e os pesos - dólares também pode ser -, dos turistas. El Calafate tem um mês de lucro gordo, precisamente Janeiro (como se fosse Agosto em Portugal), com muita sorte mais dois meses que lhe permitem um inverno longo e desafogado.
Há para tudo. E para todos. Que tal uma visita a cavalo para os arredores, para ver El Calafate ao longe, para percorrer as margens magnÃficas do lago Argentina, onde se encontra uma das maiores reservas de água doce do Globo? E se for uma viagem - tipo sénior -, dentro de um autocarro, com um guia multilÃngue, que debita pedaços da história da região, dos glaciares e da sua formação, da sua descoberta? Então e não estaria interessado em alugar um camião, que tanto dá para a maralha, como para a famÃlia, que tem altura e força suficientes para chegar onde os outros não chegam? Se não tem tempo, o melhor será alugar uma viatura ligeira, que num instante percorre os 70 quilómetros ao Perito Moreno, o glaciar mais próximo, também o mais imponente? Então e qual uma actividade para o corpo e para a alma, caminhando pelas estepes infinitas ao Parque Natural dos Glaciares? Que tal um trekking interpretativo? E se fosse experimentar “andinismo”, que não é montanhismo, mas não deixa de ser, que também não é alpinismo, mas podia ser, que não é nenhuma das duas, mas um pouco de ambas?
Se tudo isto falhar, pode-se sempre ficar, deixar-se estar, deixar que El Calafate se aproprie de si. Não pesa, mas tira pesos.
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Impressionnant la vitesse avec laquelle El Calafate s’est accrue: la ville a été crée en 1927 et avait environ une trentaine de personnes(d’aprés un article du Monde!!)
reportage interessant
Guillaume soit un peu plus aimable avec tes compatriotes!!!!!!!
bisous
Como el falcon ( 006 )esta pasando los controles tecnicos .
Felicitaciones a los cuatro.( Se incluye al mas sacrificado de todos , el 006.
SUERTE
Estamos con ustedes en el viaje,desde Comodoro Rivadavia)
esperamos fotos del glaciar
LPC dixit: onde se encontra uma das maiores reservas naturais de água doce do globo…..
Parece que como no podia dejar de ser, además del turismo masivo, será un óptimo negócio para algunos:
…..La noticia corrió hace unas semanas. Mientras algunos hablan de Patagonia como un edén, como el sÃmbolo de la libertad, como un trozo de zona virgen en mitad de un planeta contaminado, otros la ven como un buen negocio. Y seguramente, algo de eso vieron los Bush, que acaban de comprar tierras en la zona. Todo indica que el objetivo serÃa un gran proyecto: extraer y exportar agua.
Excelente texto Luigi. As usual. Corrige só a palavra da linha 7 do 2º parágrafo
O ambiente da última fotografia está verdadeiramente Lynchiano. Abraços
Com mais tempo e uns dolares recomendo vivamente outra actividade: alugar um bimotor e sobrevoar os glaciares.
É soberbo! Completa na perfeição a visita ao Perito Moreno e às Torres del Paine (do lado chileno)
hum..vou ja mandar o meu NIB..;)
Guillaume
Obrigado pela dica…e pela transferência..
É pá as fotos são muita porreiras!!Comé que vocês têm pica para essa ceno toda de não parar…é pá…