
Eles estavam apneÃcos e eu acordado. E então eu disse-lhes: Querem vir até ao La Rural - Travelers Store -, comprar uns artigos de pesca, roupa de montanha e “artesanÃas regionales”? Então e se fôssemos a La Leyenda buscar umas “remeras” e uns “buzos” ou umas parcas e umas “camperas” e uns “chalecos” em polartec? E não se estaria melhor no Hotel Posada Los Alamos, que tem 144 habitaciones e boutique de golf, tennis e paddle? Oh, pá, embora comer qualquer coisa ao Bordeaux, que tem um bom fondue, gastronomia na melhor tradição suiço-francesa e um grande “salon de té”? Não?! Então podemos dar uma saltada ao El Gran Judas Cabaret? Há música, tragos e excelente companhia? Bom… Se calhar o melhor é mudarmos para as Cabañas Los Dos Pinos, camping categorizado, totalmente equipado, com albergue juvenil? Oh miúdos, acordem lá, para ver se vamos ali ao Arte Rústico, roupa e calçado étnico de primeira com sweaters patagónicos em lã de ovelha e de lama? Deixem-se estar aà sossegadinhos, que eu vou dar saltada ao Posta Calafate buscar uns postais, alguns tecidos, platerÃa criolla, cerâmicas e madeiras boas para vos dar com elas na cabeça, de regallo? Assim é impossÃvel. Do que é que vocês andam à procura? “Todo para el turista y el hombre de campo”, ali no Regionales Michay? Uns bons “fogones” no camping municipal? Abundantes “parrilladas hechas por especialistas”? Vão para a Tablita, pá!
Jordi, Jordi, queres o “ingrediente que lhe dará a tu alma el gusto que lo monotono le hizo perder”? Tem de ser no Guanaconauta. Oh Gui, não me digas que não queres ir “mejorando la calidad de vida de nuestros habitantes”? É só levantar e dar um pulo à Municipalidad de El Calafate? Vocês não querem um bocado de “Hielo & Aventura SA”? Vá lá, vamos tomar o “desayuno” ao Black Pepper, mesmo ao lado do Hotel Amado, no “corazón” de Calafate? Já sei: “Fishing & Adventure”? Juro que “lo llevamos a vivir algo diferente”. Quem é que vos manda passar a noite inteira no Night Club Champagne, só porque “te invita a disfrutar una noche inolvidable, com a melhor companhia y exquisitos de El Calafate? Vamos até ali ao Casino Good Luck? Se acordarem, por favor, “pruebem su suerte, ruleta, black jack, punto y banca”. Mas, atenção: “Tragamonedas”, ouviram? A propósito: Não tÃnhamos combinado ir ao Perito Moreno? Pois era! Pois era, pá!! Evidemment!!!

Partida, largada, fugida. El Calafate no retrovisor, fugindo de nós lentamente, deixando-nos numa estrada sinuosa, ao som de Ray Charles, em dueto com uma senhora cujo nome não nos ocorria: “Hit the road, Jack, and don´t you come back no more”. Tradução: “Põe-te a andar, Joaquim, e não voltes nunca mais, nunca mais, nunca mais… Põe-te a andar Joaquim…”
Bueno, não há nenhum Quim no grupo, mas fomos. E só parámos a meio do caminho num restaurante lindÃssimo com vista para uma pradaria barrenta e sem fim, injectada pelo azul do lado Argentina, onde bebiam uns cavalos esguios e imponentes, longÃnquos e nobres, livres. Depois de um menu número dois, incluindo cordero, ojo de bife, e carnes variadÃssimas, invariavelmente deliciosas, um tinto, três litros de água, eis-nos de novo na estrada, à beira do posto de controlo do Parque Natural dos Glaciares, onde tivémos de pagar 40 pesos (cerca de nove euros) por pessoa para poder entrar no perÃmetro de Perito Moreno. Para estrangeiros, claro, é mais caro. Nós, estrangeiros, já nos habituámos. Nos próprios bares, há preços para argentinos e não-argentinos.

A propósito, os próprios argentinos, sobretudo os patagónicos, não estão a achar muita piada ao facto de terem de pagar para visitar a sua Patagónia. Mas, depois de uma estrada de “chicanes” com uma vista deslumbrante, de vegetação abundante e um misto de “obras en construción” - estranho pleonasmo, ou será um aforismo? -, lentamente toma forma a verdadeira dimensão do Perito Moreno. ProÃbido deitar lixo, seja onde for, todo o lixo deverá transportado de volta para El Calafate, ou para onde for a procedência. É uma descida com três etapas, três bases de observação para os turistas, que chegam aos magotes e, aos magotes, descem ansiosos e sobem arfando promessas de AVC.
Estão ali todos para o mesmo. Estão ali para se deslumbrar. E nunca estiveram tão certos. Há um regimento transcultural de câmeras e máquinas de filmar, grupos de meninas à s risotas a empoleirar-se na cerca que as separa de uma grande queda, papás em mamãs em “vacaciones” administram estaladas nos seus petizes irrequietos, ao lado de alemães circunspectos, ladeados por franceses boquiabertos, por italianos efusivos, que tentam perceber os chilenos, que tentam procurar o momento do “rompimiento”, o momento em que colapsam estrondosamente enormes pedaços de gelo, como prédios, para as águas do lago Argentina. A descida é longa e multinacional. E o Perito Moreno, mesmo visto do ponto mais alto, o menos espectacular, é de perder a vista, sobre o branco, um manto branco que troveja, reagrupando os olhares dos que já sobem, na expectativa do “rompimiento”.

Aparentemente, o grande momento de quem ali vai não é a visão deste gigante branco, tão em estado bruto, mas os pedaços que no Verão tombam da sua solidez. O clima naquela área, tão povoada de curiosidade, só inóspita porque é, não tem uma estação seca. A temperatura média anual é de 7,5 graus centÃgrados, muito acima da média que tinha, por exemplo, há duas décadas, sendo que Verão sobre aos 13, 14 graus e no Inverno ronda o grau zero. À medida que nos afastamos na cordilheira, os nÃveis de precipitação diminuem drasticamente. Essas diferenças climáticas tão acentuadas e as assimetrias do relevo é o que permite ter um sol abrasador em El Calafate e um glaciar chamado Perito Moreno, em homenagem a Francisco Perito Moreno, o primeiro amante da Patagónia e o seu primeiro protector. A origem dos “rompimientos” é muito simples: O Perito Moreno todos os dias avança cerca de dois metros. É por isso que está tão perto. E tão maravilhosamente longe.
Mas, para resumir:
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“Palavras para qué…………..
son artistas portugues(es)!!!!!
Gracias por este muy buen comienzo de dia!!
Apiko
El viaje va a ser innolvidable.
Estoy con ustedes en el viaje,
OSCAR
Ces photos sont vraiment un rayon de soleil dans cette journée grise et pluvieuse.
Quelle est la fréquence des effondrements du glacier?ce doit être assez impressionnant
continuez ainsi c’est formidable
bisous à tous les 3
Faltam as marcas no mapa… fotos incriveis!
Muy bien - CM
deu pra sentir o silencio e o frio no rosto,o vento e a respiracao audiveis.a voz,aas vezes,num sussurro.que fotos mais que perfeitas!!bjs.
mg.