
É preciso mergulhar nas águas profundas desta cidade que adoptou o nome do seu rio, para perceber onde ela está, onde está sua gente e, sobretudo, como está. O despertar no Chacra Daniel - “camping y fútbol” -, foi incomparavelmente mais tranquilo. Foi como praia para um naúfrago. Abrindo o fecho inferior da tenda, o primeiro olhar em linha horizontal foi a de um tapete verde, cuidado, resplandescente ao sol que brilhava de novo intensamente, recordando-nos que era Verão, que estamos em viagem, que o Falcon anda de bom humor, relativizando as dores nas “espaldas”, reduzindo à escala os problemas, ontem gigantes quixotescos, hoje Liliput.
Um senão, um, 1 x1: Só havia um duche: “Damas e Caballeros”. Pouco interessava, ambos estavam limpos. Pouco depois do despertar, aparece o gerente do parque de campismo, Germán Sotto Millar, sorriso aberto entre as suas unidades auriculares, em passo acelerado, já nos cumprimentando antes de formalmente nos estender a mão para nos cumprimentar. Aperto de mão “fuerte”, sentido, acolhedor. Não pensei que fosse possível tanta expressão numa mão a apertar outra. Se calhar, ainda estávamos algo fragilizados com a tragédia atrás de tragédia que fora o anterior.

Com Germán, a conversa de circunstância move-se a velocidade completamente alucinante, aliás, como qualquer outra conversa com Germán, que tem toda a família reunida numa casa pouco mais à frente ao bloco 3, onde tínhamos instalada a nossa “carpa” (tenda), mesmo em frente a um campo de futebol, onde se pode experimentar a emoção de jogar em todas as superfícies num só rectângulo de jogo. Há zonas de relva perfeita, lisa, baixa. Outras em que é completo pelado, outras ainda com relva alta, por aparar, outras em que o terreno está próprio para motocross, coisa que Dani, o seu filho mais velho, dado aos desportos motorizados, estava a fazer lá mais trás, em derrapagens controladas, em curvas apertadas, voando ruidosamente sobre uma colina, onde se improvisou uma pista, que hoje estava um excelente atol de lama.
A experiência do camping anterior estava prestes a ser ultrapassada. Ali, em Rio Gallegos periférico, exactamente nos antípodas, estava-se muito bem, obrigado. Germán, incansável, mesmo sem sair do sítio, já tinha reunido uma série de informação sobre nós. “Muy bien, muy bien, gringos”, desta vez era um termo carinhoso. Convidou-nos imediatamente para irmos conhecer a sua casa, a sua mulher, os seus filhos, a sua nora, os seus cães, o seu computador, exemplar da fase pós-Spectrum, a preto e branco. Enfim, uma casa à nossa disposição, declarou.

Germán estava interessado em tudo quanto lhe pudéssemos responder. Parecia que tínhamos entrado num “quiz show”. A sua mulher, tranquilíssima da vida, com um olho em nós e outro na televisão, que dividia com a actividade irrequieta do seu neto de quatro anos. “Periodistas?! Hulalá” Desde aqui, Germán não mais parou de disparar em todas as direcções até perceber exactamente qual era o nosso alvo em Rio Gallegos. Bom, também não interessava. Em dois segundos Germán começou a organizar tudo o que tínhamos para fazer na capital da província de Santa Cruz que, advertiu, não era bem aquilo que tinha ficado na retina do primeiro dia. Tínhamos que falar com o “intendiente”, seu amigo pessoal, tínhamos que falar com o amigo do amigo de um amigo, que também é seu amigo pessoal, para assim podermos falar com outro amigo desse amigo, que não estava neste momento na cidade, mas que havia de estar a chegar. Enquanto, não chegasse, tínhamos então que conhecer outro seu amigo pessoal, que geria as questões de turismo em Rio Gallegos e arredores, o ideal para nosostros, o “ideal para vosotros”. Calma, Germán, “pasito, tranquillo, cool man”. Germán gosta de misturar as suas frases de velocidade supersónica com chaves de ouro em inglês, quanto mais americanizadas melhor. “Got it?!”
Resolvemos ver Rio Gallegos com outros olhos, percorrendo-a primeiro de carro, depois como as cidades devem ser percorridas. O vento patagónico, aqui mais forte que nunca, estava de volta em plena pujança. Era por isso que, mesmo não sendo fim-de-semana, Rio gallegos parecia uma cidade fantasma, as pessoas não passeiam nas ruas, atravessam-nas rapidamente como se tivessem outro sítio para ir. Não estão, a não ser de passagem. São ruas cinzentas, escuras, varridas pelo lixo que não pára quieto, parece um aeródromo com tráfego de sacos-plástico que aterram e voam descontrolados, postes de electricidade com enormes fios a tombar, hordas júnior, com material desportivo, circulando em teatro de gangue, trejeitos condizentes, a armar ao ameaçador, alguns com sucesso, com gorros enfiados até ao nariz, as calças praticamente pelos joelhos, para salientar os “boxers” de marca, se for caso disso, chapéu, com a pala orientada no sentido lateral, fazendo simulacros de lutas fratícidas, empunhando armas invisíveis, matando e morrendo, para ressuscitar às gargalhadas e seguir caminho para um “locutorio”, onde há internet ao “peso” para tentar bater o recorde de mais um tiroteio electrónico, contra inimigos poderossímos, que ontem não tinham conseguido derrotar. Germán já tinha avisado: A juventude de Rio Gallegos está a tornar-se num grande problema social.

Germán não estava completamente certo. E também não deixava de estar. Também são visíveis na cidade muitas famílias chilenas que, no período em que o Chile - tão próximo -, tinha a sua economia muito mais fraca, vieram para Rio Gallegos tentar a sua sorte e acabaram por ficar. A juventude não é um problema social, apenas uma das visibilidades do problema social que é Rio Gallegos. Há pouco mais de uma década Rio Gallegos era uma cidade que florescia, com a sua viabilidade económica a saltar à vista, pelo menos à vista dos chilenos que, curiosamente, hoje começam a regressar ao Chile. Na verdade, os que hoje ainda estão, espelham só a incapacidade que têm de voltar à origem, que tem fronteira a escassos 60 quilómetros.
Rio Gallegos, como capital de província, colhia os frutos da exploração mineira, de carvão ou mesmo de ouro, tal como a exploração de gás, tal como a exploração de petróleo, que proliferava nas suas redondezas, coisa que na Patagónia é sempre equivalente a umas boas centenas de quilómetros. A verdade é que o Governo de Néstor Kirchner, sempre especialista em pregar ecologia ao país, quis dar o exemplo em relação às explorações mineiras, sobretudo, as explorações a céu aberto, especialmente contaminadoras.

Muitos e muitos exemplos depois, com casos de mortes por contaminação de águas, ou de cancros, de alguns processos em tribunal, de protestos de populações que se diziam afectadas por tudo isso, e de um único processo ganho em tribunal no longínquo Rio Negro, outrora antítese. É bom que se entenda: A luta contra as explorações mineiras não acabou com as explorações mineiras, apenas colocou uma espécie de estaca zero, esperando novos contratos, provavelmente com as mesmas multinacionais, para continuar a explorar, embora de forma diferente como exploravam. Aguarda-se, pois, uma nova vaga de explorações, a céu aberto ou não vamos ver. Rio Gallegos ressentiu-se dessa interrupção. Agoniza agora, tendo remetido para sector principal de actividade os “ganaderos”, e, ironia das ironias, o turismo, onde está tudo por fazer. A cidade é o espelho de si própria. Tem uma zona ribeirinha, com o rio que lhe dá nome a querer saltar para a terra, movido a vento ciclónico em sítios em completo de estado de abandono, como um museu ao ar livre, tudo o que dantes servia para alimentar a cidade, Peças da exploração mineira são hoje gigantes de ferrugem, barcos, torres, tapetes rolantes, ferrugem.
É preciso entender, portanto, que as pessoas não são propriamente protótipos de felicidade em andamento. São o que são. Sorriem quando sorriem. Divertem-se quando se divertem. Se for de noite, tem de ser no único “boliche” da cidade, um bar irlandês que não tem Guiness. E, no resto do tempo, parecem tristes. Exactamente como a sua economia.



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AAAAAAHHHHHH!
Finalmente unos ojos lindos para matar saudade!
Qué lindas chicas!
…….. y que tal la Quilmes?
Cuidado con las brisas
“O vento sopra na imensidão da planície, arrastando sons, vozes , gritos, câticos que se misturam com as ondas do teu cabelo, o brilho dos teus olhos, o cheiro da tua pele!!”
“…ó saudade de tudo possuir e nada ter…quero fugir para junto do teu calor, num amplexo de dor”
“…clamo por ti nestas madrugadas brancas, sem fim e oiço o eco profundo da minha voz, do meu desepero:::”
OOOOOhhhh!!!
Que chiquito mas guapo ó telephono!!!
dia 37 ate que enfim um dia em beleza , reparei que ontem nao estavam em dia sim , paciencia é dias, pois bem hoje ja valeu a pena. belas imagens de garotas para alegrar o dia, parabens e beijinhos para os tres.
Eu cá desconfio que nos andam a esconder OS GAJOS BONS da Patagónia
Les campings se suivent mais ne se ressemblent pas heureusement et un gardien plutôt sympathique!!!
Mais quelle hérésie :un pub irlandais sans Guiness!! n’est ce pas guillaume!!!
Dava tudo para estar aí.
Patagónia é O sonho.
Aproveitem. Esqueçam-se de que há mais mundo.
Olá a todos,
Será que vão passar por Sam Martin de los Andes?
Também sou um viajante mas que vai ficando pelos lugares que me querem, vivo aqui à um ano, se passarem apitem para comermos um assado.
Manuel Saporiti Português, tá claro
Comme décoration il y a mieux que les sacs plastiques accrochés partout!!! Quand chaque citoyen de la planète prendra t’il conscience que tous ces emballages plastiques, non seulement sont inutiles mais sont polluants et gaspillent de l’énergie?…Nous devons tous faire un effort pour changer au quotidien nos petites habitudes néfastes à l’environnement…Mais je pense que je suis dans le domaine de l’Utopie!!!