A noite foi a escorregar na tenda. Não é de estranhar. Afinal, “El Camiño del Andino”, é em boa verdade uma pista de esqui, improvisada de camping, com uma vista sobre Ushuaia e as montanhas circundantes de perder o fôlego, que é exactamente o que acontece se alguém optar por uma passeata de escalada até ao Martial, o glaciar mais próximo. Não é bem um glaciar, mais um aglomerado de gelo, mas para turista serve. São sete quilómetros de dureza, pouco apropriada a escaladores com sapatilhas All Star, ultra-derrapantes e anti-anti-aderentes. Para começar, a mais dÃficil das etapas, precisamente a subida da Ãngreme pista de esqui, que parte do camping, que por esta altura tem os teleféricos em repouso. No entanto, pelo caminho há recompensas.
Quanto maior a altitude, melhor a vista. É para se fazer a coisa “pasito”, contemplando, respirando, depositando lentamente camadas de energia onde antes estava a possibilidade de AVC, deixando-nos fluir na imensa vegetação envolvente, deixando-nos conduzir através das marcas amarelas até ao primeiro refúgio, depois ao segundo, onde aguarda vinho quente retemperador. Os mais corajosos, descem o que subiram. Os menos, apanham um táxi para Ushuaia, o ponto habitado mais austral do mundo, onde prolifera um marketing, ainda em fase de aperfeiçoamente, embora eficaz, do “Fim do Mundo ou o PrÃncÃpio de Tudo”, como lema de uma cidade que já cresceu muito para lá do que previa e que promete crescer muito para lá do que podia.
Mister Jordi fora o nosso caminhante auto-eleito para a escalada. Mas, como o Falcon também queria ver a vista lá de cima, infelizmente, para grande pena nossa, enorme desconsolo, muito razoável desfazamento do espÃrito daquele camping, não nos foi possÃvel fazer outra coisa se não concretizar o trajecto de carro - “dirty job, but somebody had to do it” -, aproveitando assim para realizar os primeiros testes para a Cordilheira dos Andes que nos espera em breve.
Descendo então, travando com a caixa, como é recomendável, não travando com uns travões que não travam, coisa que não se recomenda a ninguém, em direcção à Ushuaia do comércio fim do mundo, das promoções fim do mundo, fruto da não-existência de impostos aduaneiros, dos gorros à pinguim ou com barbatana de baleia, das camisas de lenhador Façonnable, das botas especiais de trekking, dos casacos de lã que dizem Ushuaia nas traseiras, das máquinas fotográficas e preços impatÃveis, das agências de viagens a vender a Antárctida a preços de última hora, a bordo de um mini-”Love Boat” quebra-gelo, do imenso material para a neve que os turistas a tremer até aos ossos procuram desenfreadamente. É verão. Mas, aparentemente, só é verão para os nativos de Ushuaia, ou coisa que o valha, já que a sua explosão demográfica é um fenómeno recente, embora absoluto. De uma cidade praticamente sem gente, virada para o seu porto, Ushuaia é hoje uma cidade à beira de sobrelotar, virada para o que consegue vender à s hordas de turistas que a percorrem com os narizes no ar e as câmeras fotográficas a disparar para tudo quanto mexe.
Número oficiais: 67 mil habitantes, comprimidos na desembocadura de algo imenso, sem fio aos nossos olhos.
Os nativos, na sua esmagadora maioria uma população jovem, fruto dos benefÃcios, fiscais e não só, que a autoridade provincial atribui aos que querem viver em Ushuaia e ali constituir famÃlia. A tarefa de povoamento de Ushuaia, outrora um deserto gelado e inóspito, próprio para o degredo que realmente era, parece em excelente andamento. Mas o mesmo não se pode dizer do seu estado de real desenvolvimento, coisa que se verifica facilmente. Basta percorrer qualquer rua, que não seja a avenida central ou a marginal - ex-libris dos ex-libris de Ushuaia -, onde proliferam mini-exemplares de chalets nos Alpes suiços, tipo casas de bonecas, quase do tamanho dos seus próprios habitantes, quando posto à porta ou à escala.
Os jovens de Ushuaia vestem-se como se pertencessem a um gangue do Bronx ou dos arredores de Chicago, envergam bonés laterais, sweat-shirts quatro números acima, calças de ganga largÃssimas, ténis com desatacadores. E juntam-se ao fim do dia na avenida principal de Ushuaia para apresentar exibições de “break dance pós-moderno”, girando sobre os seus pescoços, apoiados no cimento, caindo com as costas no mesmo, disfarçando as dores, à s vezes com dificuldades, até porque as meninas de Ushuaia estão na assistência, tal como algumas brigadas geriatricas de turistas, curiosos de ver aquilo que já toda a gente viu, na televisão ou na esquina.
Passeando, portanto, pelas ruas de Ushuaia. Olha ali a estação de rádio mais austral do mundo, mas tem cuidado não tropeces no saco de lixo mais austral do mundo, vira duas quadras para a direita, em direcção à paragem de autocarro mais austral do mundo, ao lado da farmácia mais austral do mundo. Mais ao fundo está o boliche mais austral do mundo, onde tudo o mundo ali concentrado baila até de manhã, para sair em direcção à estação de serviço mais austral do mundo, onde se vendem aquelas sandocas cujo pão cria uma placa tipo protecção dentária de pugilista mais austral do mundo, subindo depois para a rotunda mais austral do mundo, com vista para o porto mais austral do mundo e as imponentes montanhas mais austrais do mundo, subindo, subindo, subindo, em busca do ponto mais austral dos ponto mais austral do mundo. Tinha de ser: Acabámos por ter a avaria mais austral do mundo, razão pela qual seria impossÃvel, apesar de todas as tentativas mais austrais do mundo, enviar a crónica mais austral do mundo. Estávamos exactamente no meio de nada, com o telemóvel mais austral do mundo sem rede, para ligar a um mecânico qualquer, que seria certamente um dos mais austrais do mundo. Ficámos assim, com um dos enrascanços mais austrais do mundo, sem saber muito bem o que fazer se não caminhar até ao fim do mundo, para ver se conseguÃamos que alguém viesse até ao Falcon mais austral do mundo.
Só algumas horas depois, conseguimos apanhar a boleia mais austral do mundo, do camionista mais simpático do mundo, que se fartou de rir quando lhe contámos a anedota mais engraçada do mundo, mesmo à chegada do fim do mundo. Onde tudo tinha acabado de começar. E, quando soubémos a conta do arranjo do Falcon, que nem me atrevo a traduzir em euros, pesos ou dólares, só lhes digo que foi o fim do mundo.
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Isso fica na Argentina ou no Chile… perdi-me!
Não tem marcado o mapa!
Parece bonito o sitio… ainda é Verão? Aqui vai para a primavera… aà deve ir para o Outono? Não?
Abraços e continuem a divertir-se! CM
Qual foi o problema do 006?
CM
O último ONDE ESTAMOS foi no dia 35 - parece o lago Titicaca…
CM
Oh pá a gente não está aà convosco,fazem o favor de nos situarem no no mapa!!!!
Abraço
Pedimos desculpa por as marcações do mapa não estarem a ser efectuadas. Tudo se deve à inexistência do aparelho GPS e por isso, o Estação do Calor vai tentar providenciar uma segunda solução para obter as coordenadas de GPS.
Atentamente,
Estação do Calor
Obrigada!! ;=)
Ushuaia la ville la plus australe du monde.J’espère que les problèmes de la falcon ne vous empêchera pas de pratiquer des excursions dans la région. Envoyez nous de belles photos
A+
lindas imagens, mas rapazes voces têm a certeza que vão atravesar os andes no falcon 006, por amor de deus voces tenham o maximo cuidado , e afinal o que tinha o falcon 006 ‘. beijinhos para os tres
ola rapazes espero que estejam todos bem , quanto ao falcon quando chegarem a argentina bem podem vende-lo 4 vezes mais que custou, deve ser a viagem das vossas vidas, beijinhos
Boa noite Cyberannie, tenho uma revista Visão que lhe dou com todo o gosto quando chegar a Portugal.Não está em muito boas condições, mas o artigo dos nossos amigos está inteiro!!
Carla, muito obrigada.Si tu habites Lisboa on pourra se rencontrer à mon arrivée, à l’agence Kameraphoto.
Amicalement
Caros amigos e amigas, o problema do Falcon é algo que nos ultrapassa também, perfeitos desconhecedores de mecânica. Segundo um “experto” de Ushuaia, foi a caixa que foi à viola, ainda qualquer coisa relacionada com o carburador. Em suma: 700 problemas à unidade de euro. ACEITAM-SE DONATIVOS. Pode ser em latas de atum. Tenório, que ainda temos alguma dignidade.
Abraços,
LuÃs
Combinado Cyberannie!!!Aproveitamos e conhecemo–nos!!!Nos fins de Março deixo-te aqui o meu telemóvel para nos encontrarmos!!!
ps: não serve “Bom Petisco”?!
ps: Cyberannie, também és fotógrafa?
Carla , non je ne suis pas photographe…mais je suis proche parente d’un des photographes!!!!!
Et toi tu es photographe?
Hola “Trio do Calor”, ayer no pude comunicar con ustedes, pero pasé todo el dia preocupado con lo que vos pudiera acontecer.
Felizmente, todo no pasó de “el susto más austral del mundo”!
Un abrazo grande, compañeros!
Fotografias lindas mais austrais do mundo!!!
Viagem vossa sem percalços já não é a mesma.
Espero que o 006 esteja melhor, mas também, não se podem queixar que apesar da idade avançada ele lá se vai aguentando.
Beijinhos e boa aventura mais austral do mundo.
As “marcações localizadoras”, a gente até desculpa,a gente só não desculpa o ficarmos sem notÃcias vossas… Acreditem que o vosso trabalho/lazer/prazer é motivo para eu sonhar acordado!!! Só estou à espera que o meu filho acabe o “12º” para lhe oferecer(nos oferecer) ” o fim de um percurso e o princÃpio de outro.
Um abraço e por favor percam tudo…menos o humor!
A gargalhada menos austral do mundo!!!!