
O parque de campismo de Colbun ficou apenas com uma família residente, gozando em solidão as suas presenças. Os muitos cães selvagens que rondam o parque fizeram um repasto dos restos de frango congelado no churrasco, demonstrando habilidade felina a retirar o dito do lixo, supostamente inacessível à bicharada. O dono do camping estava ainda mais desolado, pois tinha ficado com a impressão que íamos ficar por ali pelo menos uma semana. O local era lindo. Mas, para ser sincero, já estava cansado de não ter com quem falar, para além do Gui, evidentemente, que até andava de bom-humor, o que sempre acontece quando está em modo “wild-life”. Havia que seguir viagem, rumo a Santiago, separada de nós uns 400 quilómetros, se o mapa não me falha. O caminho de volta à Ruta 3 não era propriamente fácil. Gravilha e mais gravilha até reencontrar o alcatrão e as portagens, que são uma constante ao longo da autoestrada que atravessa o Chile.
Estrada é estrada, sob um calor intenso, com o Falcon a demonstrar boa forma, regular aos 80, 90 quilómetros por hora, dominando orgulhosamente a faixa direita, a ver passar os camiões, os 4×4, os topo de gama e os gama média, ultrapassando apenas os mochileiros com o dedo em riste a tentar a sua sorte. Estamos de novo a viajar num jardim, imponente, de verde intenso e selvagem, isto sim, ultrapassando-nos. O nosso co-piloto demonstrava fome. “Espera um ratito, franchotti”. Não vale a pena entrar num restaurante de estrada, que geralmente inclui serviço de hosteria ou “duchas” a preço módico. Quanto mais se marcha para norte, menos se entende o castelhano-chileno, rápido, enrolado. Uma hora depois, ambos esfomeados, parámos numa estalagem à beira-estrada, que parecia ter saído de um western italiano. Uma estalejadeira de ar indígena, com um avental mais sujo que o interior do Falcon, um expressão carregada, pouco afável, antipática mesmo, desenhando o esboço de um sorriso, em vão. Os chilenos não são de primeiro contacto como são os argentinos ou os brasileiros. O que nada lhes retira. São de temporizar. São de esperar que lhes ofereçam simpatia para que depois eles a devolvam. São uma espécie de transmontanos acabados de sair de um solário. São boa gente, isso nota-se, embora desconfiadíssimos do que não conhecem, sobretudo quando o que não conhecem tem uma chapa de matrícula argentina, com aspecto de brasileiros. Devo ser eu, porque monsieur Pazat não engana ninguém.

Adiante, na esplanada estava-se às mil maravilhas até chegar a comida. Com esta vieram as abelhas. A ementa, tradicional chilena, não era especialmente variada: Conzuela (caçarola) de frango, “llomo de pobre” (bife com batatas fritas, “no mas”) ou Chorillana, o prato mais barato do Chile, sempre para dividir: Uma pratalhada de batatas fritas com pedaços de chouriço e ovos estrelados. Come-se apenas com garfo. Outra coisa qualquer qualifica-se no capítulo “gringo”, a evitar, pois normalmente os preços inflaccionam num ápice. O almoço estava óptimo, que o digam as abelhas, com quem partilhámos a conzuela e uma ensalada fresquíssima, mesmo temperada com uma espécie de óleo a que os chilenos chamavam azeite, um vinho azedo a que os chilenos chamam vinagre e um picante, que os chilenos chamam picante, chamado Ají chileno, a léguas de um bom “jindungo” angolano, que eu adoro. “La cuenta, por favor!” Antes, porém, um simulacro de café, solúvel, “por sopuesto”. Antes isso que um café “chico” ou “restricto” ou “curto” ou “curtito” ou, pior, “cortado”, versões aguadas remotamente cafeínadas.
“Que lhe vaya bien”, atirou a senhora contando os trocos que lhe havíamos deixado de gorja. Água ao Falcon, toca para a a estrada. A caminho de Santiago, capital chilena, onde se concentra metade da sua população, cerca de seis milhões de habitantes. O resto do caminho foi “tranquillo”, embora o co-piloto francês encontre sempre maneira de auto-stressar. Desta vez era porque não gostava de chegar a uma cidade grande sem um mapa da cidade grande em questão. No messenger, o Jordi, sim o Jordi, a nossa ausência presente, agora ocupado em teorias côr-de-rosa, tinha-me aconselhado um hostel “categorizado”, de nome Che Lagarto, não sei bem a propósito do quê. Calminha, Pazat, “tranquillito, hombre”. A bússola portuguesa funcionou como funciona Portugal. Saímos aqui, viramos ali, e depois logo se vê. O que vimos? “Che Lagarto, no mas”. Sorte do caraças, já se vê. E isso não era o melhor. Depois de dar de caras com o hostel, outro stress. Onde estacionar o carro, sem que este fosse multado, roubado, ou transformado em hotel para indigentes, em abundância em Santiago. Estávamos mesmo em frente à central de “buses” de Santiago, que tinha um parque de estacionamento subterrâneo, onde o gerente do dito não permitiu que nós estacionássemos, temendo que algo de grave pudesse acontecer. Olha ali à frente, aquilo não é um lugar, a poucos metros do Che Lagarto? É sim, senhor. Listo.

Eis-nos, pois, no Che Lagarto, um hostel com quartos para seis - mistos, tal como as casas de banho e os duches -, onde se reunem viajantes de todos os quadrantes para contar onde já estiveram e para onde vão e as suas histórias, as suas particularidades, a forma como viram determinado ponto do planeta. O Che Lagarto é de proprietários brasileiros. Tem empregados brasileiros, o que ajudou. Não havia bebidas alcoólicas à venda no Lagarto, mas os lagartos residentes podiam ir ao supermercado comprar o que quisessem, escrevendo num saco o seu nome, que a coisa ficava fresca e em segurança. Nesse noite, preferimos arejar em Santiago. Entrámos numa espécie de cervejaria, cheia de chilenos de nariz para o ar, em direcção ao uma mini-televisão, onde dava em directo um jogo do Colo-Colo, a equipa chilena com mais títulos de campeão que, no entanto, este ano está a desiludir.

A cerveja chilena, Cristal, estava melhor que o Colo-Colo, que acabou por deixar muitos dos presentes em estado de letargia aguda. E Santiago apresentou-se-nos assim. Amanhã, um dia inteiro para a descobrir. Por agora, de regresso ao Che Lagarto, para descobrir grande parte dos nossos companheiros de estacionamento, todos entretidos com a sua dose própria de cerveja, olhando para os seus computadores pessoais à espera que o Wi Fi que o Che Lagarto anuncia aparecesse para beber um “trago” (copo). Foi nessa noite que conhecemos a mulher mais irritante do planeta, Brooke de seu nome, australiana. Mas isso ficou para depois. Por agora éramos seis num quarto: Um português, um francês, uma sueca, um neozelandês e um casal alemão “in-love” nada satisfeito por estar em camas separadas.

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Olá muchachos.
É só para dizer que continuamos aqui, junto de vós, nesta viagem.
Hasta luego Luís e Guillaume.
Besos
1ºcomentário!!!Era só para dizer k tá mt bem eskrito e kom fts mt giras (komo sempre)!!!! bjks para tds e mts mais para o luía pedro!!!
Gosto muito dos contrastes da última foto!!!
ola rapazes segundo sei o rapaz que está a fumar na ultima fotografia é o lpc, é bom que se vá habituando que ca em portugal já nao se fuma em todo o lado como antes acontecia, beijinhos e muito boa viagem aos dois e espero que o jordi, esteja nas nuvens em sao paulo
Já tava a “micala”… Vá, hostels, dá pra tudo.. Que se pode querer mais? (Claro está senão se viaja “in love” pois claro)
Che Lagarto, si j’ai bien compris,est une “auberge de jeunesse” ?
Comme cette promiscuité doit te plaire, guilaume.
Mais c’est une des façons économiques de se loger dans les villes.
J’aimerai bien savoir pourquoi la dénommée Brooke vous a paru si irritante
Bonne continuation
bisous
QUÉ DIFERENCIA ENTRE LA 1ª Y LA PENÚLTIMA FOTO: TERRIBLES AGLOMERADOS DE COCHES, CASAS, POLUICIÓN, PUBLICIDADES…..WELCOME TO THE NEW WORLD!
SOBRE LA ÚLTIMA FOTO EL ÚNICO COMENTARIO QUE ME MERECE LA PENA ES, QUE EL FOCO DEBERIA ESTAR EN EL GRANDE LPC!!!
Apiko
EU TAMBÉM…
PS:O meu primeiro comentário era em comunicação paradoxal…se alguma dúvida ficou no ar…
QUÉ!!!
HOY VOY A TENER QUE ALMORZAR SIN LA COMPANIA DE MIS QUERIDOS AMIGOS?!?
QUÉ TRISTEZA!
MUCHACHOS SEAN BROOK CON LAS PERSONAS, ACUERDEN-SE
QUE INBROOK HAY EN TODOS LADOS.
POR OTRO LADO, ADORO LAS CONTAMINACIONES QUE SE VAN DANDO ENTRE-TEXTOS DE LOS PARTICIPANTES DE ESTE VIAJE CIBERAL………..
apiko
EU TAMBÉM APIKO