
Então e que tal Taltal? Taltal é daquelas cidades e tal, tal como uma cidade que talvez nem seja bem uma cidade, mais um pueblo e tal, que como tal não é considerado, sendo, portanto, apenas cidade. Agora: Não é decididamente uma cidade e tal Taltal. É só uma cidade perdida no espaço e no tempo e tal, de tal forma que só nos apetecia fazer ali o mÃnimo e tal, para nos irmos embora e tal e talvez tão cedo não voltar a Taltal e tal. Mas, aparentemente, tal não era possÃvel e tal. É que o radiador e tal, não sei se terá sido do lÃquido tapa-fugas e tal, tinha a maior fuga que já se lhe tinha visto e tal. À porta do hotel, já com as mochilas e tal no interior da mala do carro e tal, estávamos de novo com a disposição estragada e tal, tal como se tivéssemos comido ovos com salmonelas e tal, que em todo o caso seria melhor que o “desayuno” que tomámos lá em cima e tal, mas agora cá em baixo decorria o processo psico-motor e tal para ganhar coragem para ir à procura de mais um mecânico e tal, entre os nove mil e tal habitantes de Taltal, que se posiciona no paralelo 24 e tal. E tinha que ser um mecânico e tal, daqueles que não protelam o inadiável e tal, daqueles que diagnosticam aquilo que nós sabemos e tal e actue em consonância e tal. E tal não era a avaria em Taltal que colocar água no radiador era exactamente como despejá-la no chão e tal. E, pronto, esgotada esta tentativa desesperada para evitar ter de procurar um mecânico e tal, o melhor seria mesmo começar a vasculhar Taltal em busca do tal que nos havia de socorrer e tal. Mais fácil seria encontrar um mineiro, porque Taltal e tal é uma cidade de pescadores e de mineiros, que por conta de outrém exploram cobre e tal do território circundante e tal. Mal tal não estava a nossa teima e tal, que não éramos capaz de arrancar do pé do carro e tal, tal não era o cansaço acumulado com avarias do Falcon e tal. Estávamos nisto, quando passa um senhor, de uns cinquenta e tal anos, que olhou para o nós e para o carro e para o carro e para nós e tal, e declarou que nós tÃnhamos seguramente uma avaria e tal no radiador, que tal seria impeditiva de abandonar Taltal assim. Usted es mecânico? Se tal assim fosse, seria pessoa para pôr imediatamente mãos à obra e tal. Tal era possÃvel, declarou o simpático senhor, que por feliz coincidência e tal, tinha o seu “taller mecânico” logo a cima da rua, que acima tinha uns barracas que em Taltal, que acima só tinha a montanha altaneira, com vista para um imenso mar e tal, o mesmo que não deixa a cidade ser maior e tal.

O nosso mecânico disse logo que ia arranjar o carro, que este estaria pronto dentro de uma hora e tal, mas que não lhe tocaria antes de trocar de camisa, porque a que tinha era nova. Ainda bem que o carro só estava a perder água, porque uma gota e tal já tinha escapado para a tal camisa que referia, um exemplar de golas aeronáuticas, mesclada de rosa e branco e tal. Levámos o carro para a oficina e resolvemos ficar a observar as manobras do mecânico. Podia ser que acelerasse o processo e tal. Não era preciso, pois notava-se que este mecânico e tal sabia exactamente o que fazia e fazia-o depressa. Foi uma questão de retirar o radiador, aplicar uma massa para revestir a área da fuga, depois deixá-la secar ao sol e tal, enquanto nós trocávamos uns dedos e tal de conversa: De onde éramos, o que estávamos aqui a fazer e tal, por que raio andávamos com um Falcon, com matrÃcula argentina, pelo menos na placa frontal e tal em Taltal, à espera que o radiador secasse para de Taltal poder sair e tal, porque até San Pedro de Atacama, em matéria de quilómetros, ainda nos faltavam uns quatrocentos e tal. Foi como se o tempo voasse. Quando demos por nós estava o radiador em “su sÃtio” e nós à procura do caminho de volta para a estrada de onde saÃmos ontem, para abreviar caminho para Taltal e tal. Tal dito, tal feito. Adeus Taltal, até ao nosso regresso e tal.

De regresso, sim, à estrada, mergulhados em castanho à esquerda, também à direita, por trás de um navegador aliviado, aliás como eu, por termos agora um radiador que supostamente não permitiria mais fugas, sempre indesejáveis, mais no deserto. Não é que a etapa a fazer fosse longa. Mas a dureza desta etapa não se media em quilómetros. Estrada interminável, de pó, de garganta seca, de respiração difÃcil, sobretudo com os vidros abertos, que é precisamente o nosso sistema de ar condicionado. Foi uma opção: Preferimos arejar, mesmo que o ar fosse pó.

Não foi, por isso, de estranhar que as duas garrafas de litro de água que levámos de Taltal tivessem desaparecido numa hora, equivalente a dizer que as horas seguintes foram de colar lábios. Viagem, portanto, de gestão de silêncios. Não era só a sede. O local impunha-o também. Assim como se impunha uma paragem na Mano del Deserto, que começámos a avistar como se fosse uma miragem. No meio de nada, exactamente de nada, uma mão enorme, aberta ao deserto, como se um gigante ali tivesse ficado soterrado, obra de um artista de Santiago, filho da II Região, Antofagasta, esta onde nos encontrávamos a engolir em seco.

Havia, portanto, que seguir caminho, que não era provável a existência de um chafariz por ali, nem mesmo a existência de uma estação de serviço, para a qual ainda faltavam mais cem quilómetros para juntar aos 150 que já tÃnhamos cumprido. Foi com alÃvio e sem ele que chegámos a uma terreola, absolutamente imersa em pó, em fumo da indústria que a rodeava, e do vento ciclónico que a varria de ponta a ponta. Foi o tempo suficiente para atestar o carro, bebermos uma garrafa de litro de água cada um, comer um “choripan”, como o nome indica uma espécie de “hot dog”, mas com chouriço, muito comum no Chile, levar um carregamento de água e seguir de novo caminho, que se fazia tarde e já não nos restava muito tempo de sol. Na estrada, já cruzada por outras em direcção à s fronteiras com a Argentina ou com a BolÃvia, o vento não estava a facilitar. Era possÃvel ver ao longo os tornados que bailavam ao nosso encontro. Desta vez, óptamos pelo calor, fechando os vidros do Falcon, o que não impedia que o pó entrasse por todas as pequenas, médias e grandes frechas, por onde normalmente entra o vento. Por ordem inversa, nos pés do condutor, na porta traseira e no vidro do lado do navegador.

Mais uma vez o Atacama venceu-nos, pois quando chegámos a Calama, a última cidade antes de Atacama, a cerca de cem quilómetros desta, já só nos restava uma meia-hora de sol, insuficiente para nos arriscarmos a fazer uma estrada dificÃlima até San Pedro. Calama é mais uma cidade boliviana do que propriamente chilena. A sua população é sobretudo indÃgena, menos afável ao primeiro trato, mas igualmente simpática, embora sempre mais desconfiada de quem não é de lá, como nós, que denotávamos um estranho cansaço, anormal mesmo para quem anda já algo cansado. Só depois chegámos à conclusão óbvia: A altitude. Estávamos a cerca de mil e 800 metros. Foi exactamente por isso que, assim que encontrámos um hotel barato, assentámos arraiais. Foi por isso que assim que vimos o primeiro restaurante, entrámos. Era um restaurante chinês, que muito nos arrependemos de ter entrado. E foi também por isso que penámos uma hora a pé para tentar conhecer um pouco a cidade, mas voltámos ao hotel como se tivéssemos percorrido a pé todo o Atacama. Não foi fácil subir as escadas, foi com esforço titânico que tirámos a chave do bolso para a colocar na fechadura. O resto foi fácil: Foi uma questão de pegar no comando da TV e ligar o único canal que estava disponÃvel e que transmitia uma bela série chamada “Secretária executiva”, a história de uma secretária louraça “wannabe”, trepadora social, super-sexy, e de um executivo de meia-idade, que tinha o matrimónio a tremer e uma mulher super-ciumenta a seguir-lhe todos os passos. Como é que a coisa ia acabar? Não faço ideia. Devo ter adormecido passado um minuto e tal. Parecia que estava em Taltal.
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Y qué Tal, muchachos? Y Tal Y Tal!
En Calama y si la altitud los deja (siempre pueden ir mascando un poco de coca (cola)), pueden ir a ver la mina de Chuquimata, que segundo “le guide du routard de 94/95″:
peut être intéressant de profiter de l´occasion pour visiter la plus grande mine de cuivre du monde!
Y tal,……..
Pazat, mis felicitaciones por el ambiente dado por las fotografias…….
Se están quedando cansados, muy muy cansados…. y tal.
Me imagino que todavia les reste fuerzas para el final a 6000 metros, en el corazón de Bolivia.
Nauremi Naki
Apiko
\que raio de mao é aquela?, , já vao a caminho da argentina, espero que sim pois o pessoal já deve estar de rastos, muitos beijinhos e saudades.
Então que tal em Taltal? Tudo bem muchachos?
Pois cansados não é?
Já levam muitos quilómetros às costas. Vocês e o Falcon (coitadito) que lá se vai aguentando.
As fotos tão muito bem Gui(essa mão no meio do deserto é mesmo estranha), há algum objecto vermelho na foto (p&b) não há (ou é do meu computador)?
Bem eu imagino a sede que devem ter passado. Ao olhar para as fotografias até eu fico com sede.
Gostei muito da descrição de Taltal, LuÃs, está muito engraçada.
Estávamos com saudades vossas.
Besos e boa viagem.
(Já estive a ver fotos de San Pedro é muito bonito).
Encore un récit comme je les adore,plein d’humour malgré les difficultées rencontrées.Les photos rendent bien les effets de la chaleur écrasante.Et cette main au milieu de nulle part,que symbolise -t’elle? La présence humaine??
Une idée me vient à l’esprit/ A votre retour ,vous devriez établir un guide des meilleurs mécaniciens de la région que vous pourriez proposer au “guide du routard”!!!!!!
Bonne suite
Bisous
La “Mano del Desierto” fue erigida por Mario Irarrázabal, escultor chileno, a base de fierro y cemento.
Está a 75 kms. al sur de la ciudad de Antofagasta, 300 mts. al costado de la ruta CH-5 (la famosa Panamericana), y a 1.000 mts. sobre el nivel del mar.
Con 11 mts. de altura, saluda o despide al viajero que se adentra en el Desierto de Atacama, el más árido del mundo.
En Uruguay, está la “Mano del Gigante” hundida en una de las playas de Punta del Este,del mismo autor.
Miren donde le dió por sacar su otra mano.
Y yo me pregunto, adonde asomarán la punta de los pies?!?
Buen fin de semana
Apiko
Merci Apiko de me faire partager tes connaissances.
Ma fin de semaine va être trés agréable car je vais à Lisboa dimanche…et j’adore cette ville.
Amitiés
Fotos maravilhosas!
Texto exemplar!
Comentários a condizer!
bien muy bien, asi me gusta.
Bem hajam.
Faaaaantáaastico!!!!
Soberba a ambiência criada pelas fotos, de se ficar com a respiração suspensa, o olhar preso,a alma estilhaçada!!!!
Bem, bem…está ser difÃcil pensar em deixar-vos….a viagem está a chegar ao fim, mas as vossas descrições continuam BELAS…de facto, este Blogue transformou-se num vÃcio, num elixir, qual ópio!!!
Mas a vida é mesmo assim, feita de coisas boas que “acabam”, mas perduram na nossa memória e no nosso coração…mas também é feita de esperanças renovadas de outros encontros, novas viagens e partilhas enriquecedoras!!
Como disse a PatrÃcia, talvez nos encontremos todos de novo, nalgum lugar, nalgum tempo, e a recordação destos 3 meses vai concerteza fazer-nos rir, gritar, chorar, saltar , abraçar…sei lá!!!
LOVE YOU!!!
Cyberannie, desejo-te boa viagem para Lisboa, cidade que também adoro, mas da qual estou actualmente longe, espero regressar nos próximos meses a essa bela metrópole!!!bjs
Calma, calma…Amanhã há mais.
Chegámos. Mas ainda está longe de ter acabado.
Gui