“Con todo cariño para mis amigos de Portugal y Francia, Luís Pedro Cabral - Guillaume Philippe, un recuerdo con ele alma, para que siempre se acurden de un amigo de Tupiza, Bolívia, Isaias Delgado Garcia, que siempre estara pidiendo a Dios que les vaya bien en la vida y com sus familias. Gracias a Dios”. Estava guardada na minha mochila esta mensagem que Isaias, o dono do restaurante onde estivémos, tinha escrito atrás de uma foto do seu álbum de família. Gente boa esta de Tupiza, genuína, coração grande. O que ardia da bebida nas suas gargantas secas de tanto cantar, apenas salientava isso. Em certa medida, sem nos mexermos, deixámos de estar no restaurante de Isaias, mas em sua casa, depois de Fernando, o mais emocionado da noite, se ter resignado a ir para a sua, reconhecendo o seu grau avançado de alcoolemia. Isaias falou-nos dos seus projectos, sempre à volta da restauração, por sua vez sempre à volta dos corderos no churrasco, falou-nos das suas dificuldades, da infância, onde Fernando era presença, e falou-nos de uma Bolívia muito diferente desta, para onde tínhamos cada vez mais vontade de partir, sabendo que tínhamos de partir para o sentido contrário. Esta é uma Bolívia de paz e a Bolívia não é bem assim. E já agora explorou a possibilidade de poder ficar com o Falcon, já que o Gui, na apoteose, lhe disse que lhe ofereciamos o carro.
A bordo de uma máquina dos infernos a que chamam autocarro, de Tupiza para Villazon, de regresso à fronteira da Bolívía com a Argentina. Apesar do cedo da hora, a carripeta estava lotada. Também não era preciso muito. Coisa de vinte pessoas faziam a festa, embora fôssemos nós quem no início do trajecto atirávamos os foguetes e apanhávamos as canas. Foi um regabofe de primeira categoria, enquanto não digerimos convenientemente a beberagem, pausando as aplicações de “hoja de coca”, para ver se conseguiamos dormir um bocado, coisa que a maior parte das pessoas no autocarro já fazia, apesar das nossas inúmeras tentativas para os manter acordados. Porém, apenas o condutor dava troco, nitidamente satisfeito por sentir alguém, como ele, acordado. Lentamente, o sono apoderou-se de nós. Devagar, devagar, até a cara tombar para o vidro da camioneta, o que provocava algo compatível a viajar dentro de uma máquina de lavar, dado que o caminho de volta parecia ter muito mais buracos do que teve o que nos tinha levado a Tupiza. Enfim, foram quatro horas aos tombos, sempre acompanhados por roncos lá atrás, lá à frente, mesmo ao meu lado.
Acordámos em Villazon com o condutor da camioneta a bater palmas. Não é que estivesse contente por termos chegado. Era mesmo para acordar os resistentes, sobretudo um certo francês, que tinha a cabeça em posição pendular. Aproveitando o sono dos que chegavam, deslocou-se ao autocarro uma autêntica comitiva de recepção, que ataca estrategicamente os estrangeiros, oferecendo-lhe um autocarro para a Argentina, evitando horas de espera na fronteira. Que deixássemos com eles, eles tratavam de tudo. Era só pagar o dobro do preço, que iamos pagar caso cruzassemos a pé a fronteira e apanhar uma camioneta em La Quiaca, o primeiro reduto argentino, onde tínhamos chegado há uns dias. Sendo assim, “muchas gracias”. Vamos a pé.
Villazon também acordava. E espreguiçava-se já até aos limites da fronteira e para lá, para onde seguem muitos comerciantes bolivianos, em busca de moeda mais forte, lucrando no câmbio dos produtos que vendem. Ao longo da avenida poeirenta para a fronteira, os comerciantes deste lado começavam a abrir os longos estores metálicos e a pendurar a sua oferta cá fora. De uma disco local saiam os últimos clientes, três homens e uma mulher, que negociava com um deles o resto daquela noite que já era dia. Para ser sincero também já só pensava em cama. Ou, pelo menos, um bom lugar no autocarro de La Quiaca para Jujuy. Ao primeiro sol, fenómeno que me causa um estranho amargo quando estou de directa, ou coisa parecida, as pernas estavam pesadas, o corpo doia, o peito ardia. E a fila para a aduana tinha coisa de um quilómetro. Lá ou fundo, eram perceptíveis duas entradas rápidas, mas era para quem chegava de bicicleta. E, nesta fila, o estatuto de estrangeiro não vale, o que é simplesmente justo. Policias argentinos iam orientando a fila, fazendo questão de demonstrar grande agressividade em relação aos bolivianos, mesmo por baixo de um enorme sinal que dizia que os cidadãos tinham o direito de queixar-se de maus-tratos policiais na aduana e que podiam apresentar queixa. Tudo isto, formalmente, ainda em território boliviano.
Facílimo ser arrogante perante uma senhora, mesmo à nossa frente, que viajava com a tralha e três filhos à ilharga, que no entanto sorria às ordens que lhe davam. A senhora ia ter com familiares a Buenos Aires. Não estava para oferecer discussão ao pequeno funcionário da farda azul, meramente a exercer o seu pequeno poder, provavelmente mais pequeno do que ele. Não tão grande, por isso, que impedisse grande parte da assistência de rir. Uma mochileira alemã barafustava mais atrás na língua-mãe. Mais atrás, a fila esticava-se cada vez mais, fruto de uma lentidão exasperante dos aduaneiros, que faziam autênticos interrogatórios aos bolivianos que queriam entrar, revistando tudo e mais alguma coisa. Não esquecer que a coca e a chicha, embora distintos, são dois produtos nacionais da Bolívia. A chicha, torna-se até algo desinteressante, sendo que o seu teor alcoólico é nulo, não estando na categoria das “exportações”. Quanto à coca, já se sabe: Basta um simples tubinho para entrar. E, em boa verdade, aquela era uma porta de entrada.
Na fila, a passo de caracol esclerosado, faltavam-nos as pernas. O cansaço da noite instalara-se definitivamente e com ele um desespero, que nada trazia de útil para a velocidade de atendimento. Foram, pois, duas horas a caminhar para a cruz, sendo que a passagem na aduana não demorou mais de dois minutos. Foi uma questão de caminhar até ao terminal de autobuses de La Quiaca, comprando dois bilhetes para o primeiro autocarro que saisse. Não foi grande opção. Esse autocarro parava em tudo o que era sítio. Juntando a isto algumas paragens na policia, para que os passageiros e o autocarro fossem revistados, a viagem demorou mais de sete horas. E foi penosamente de não pregar olho. Chegámos de novo à residencial de Jujuy, com ares de quem acabara de chegar da guerra. O dono da residencial tranquilizou-nos imediatamente: O Falcon estava bem e recomendava-se e nós tínhamos o nosso quarto preparado. Jantar e dormir. A viagem de regresso a Buenos Aires, distante mil e 700 quilómetros, começava amanhã. Não sei porquê, deu-me uma nostalgia galopante.
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Pois, ta quase..e agora?
Gui
Delirante, delicioso e interessante são adjectivos adequados para esta escrita e aventura. Que a saga continue e obrigado pela partilha. Qui audet adipiscitur!
Abraços,
António Rebordão
AMEN!!!
Y UNA VEZ MÁS…NAUREMI NAKI…
POR TODO ESTE VIAJE FABULOSO…
EN TODO EL SENTIDO LITERAL E IMAGINARIO DE LA PALABRA…
GRACIAS MUCHACHOS
APIKO
O Gui disse tudo. “…e agora?”
Espero que se metam noutra aventura destas brevemente
É verdade, quase a completar o círculo…quase de regresso à “realidade” e , espero, quase a começar outra viagem…!!
Parafraseando o Luís, vocês já nos estão no sangue…na carne e na alma…
Un périple que j’ai suivi avec beaucoup díntérêt et de plaisir : Merci Luis et Guillaume pour ces moments trés agréables et merci á Nelson pour avoir fait en sorte que ce blog fonctionne bien
Bisous
Feldrix Meus!! E eu que ainda tinha esperança de que esta cena continuasse, continuasse…que vai ser de nós
?
Bem, bem…fico com a fantasia de que talvez um dia nos convidem a todos os bloguers para uma ganda Piscalhada!!!
Muiiiiiiito Obriiiiiigaaaaada pelos fantásticos momentos bem passados na vossa companhia!!!!
ja estou com saudades e ainda nao acabou, fora dias maravilhosos os que passei a ler as vossas aventuras, bem hajam. beijinhos aos dois.
foram historias maravihosas, vou ter muitas saudades, muitos beijinhos para os dois e principalmente, para o meu querido papi luis pedro cabral
A brincar, a brincar já lá vão 80 “diabólicos”, astronómicos, fixabólicos dias!!!
subscrevo os comentarios anteriores!
E sim…também vou ter saudades: da vossa companhia, da escrita e das fotografias fantasticas!
sogima amixórp à éta!!!
osserger mob!!!
oriegnartse ralaf ies mébmat !!!
sohnijieb!!
PORRA
… e agora!!, que vai ser de nós. De todos nós, e de vós também???
Porque se nós não nos imaginamos sem vocês, … concerteza vocês irão sentir a nossa “falta”.
E agora???
Bem hajam
grande PORRA
PORRA que já me esquecia…
e o Falcon????
P0ORRRRRRRAA
AAAAAAARRRRROOOOOOPPPPPP!!!!
noooooclaaaaaF!!!!
Muito obrigado pelas aventuras partilhadas. Nao perdia uma. Se algum dia quizerem visitar a Nova Zelandia, estarei por ca para os receber. Um abraco.
Edgar
O circulo fecha-se… sabíamos que assim seria. Desejava-mos que assim não fosse. Queríamos prolongar a nossa própria viagem pelos vossos olhares e palavras. Queríamos continuar a sentir-nos aí, convosco. Mas acredito que o fim de uma viagem é sempre o início de outra. E, parafraseando Charles Dickens, a dor de partir não é nada em comparação com a alegria do reencontro. Assim sendo, até breve! Aqui, ou em qualquer outro lugar, pois o viajante ainda é aquele que mais importa numa viagem.
E agora? …. Agora desejo-vos um óptimo regresso a Buenos Aires e a Portugal. Cá vos esperamos!
E agora?… Agora descansar… assentar as ideias e começar a programar uma outra viagem que tenha como objectivo, para além da experiência, divulgar, informar e denunciar muitas e tantas outras situações problemáticas que se passam por esse mundo fora!
Quanto ao Falcon, desculpem a insistência, mas está mesmo fora de questão fazê-lo chegar a Portugal?
Até Já
AR
Ola aos dois,
Já foi tudo dito anteriormente. Foi uma aventura que nos contagiou. Muitos parabens pelos textos, fotos etc. Espero ler mais alguma coisa alusiva à vossa viagem na Visão. A vossa próxima viagem….
por que não à Indía profunda?
Bom regresso a Portugal.
Beijos
CARÍSSIMOS COMPANHEIROS DE VIAGEM,A COISA ESTÁ A ACABAR, MAS AINDA NÃO ACABOU. ESTE SITE VAI CONTINUAR, NOUTRAS FORMAS E NOUTROS ESPAÇOS, MAS SEMPRE ABERTO A TODOS. HÁ VÁRIAS REPORTAGENS SOBRE OS TEMAS QUE NOS LEVARAM A FAZER ESTA VIAGEM QUE VÃO AINDA SER PUBLICADOS NA VISÃO, ASSIM COMO NESTE VOSSO ESPAÇO.
ABRAÇO A TODOS
IIIIIUUUUUPPPIIIII!!!

O que é bom acaba depressa, e estes 4 meses de viagem passaram rápido, um grande obrigado a estes aventureiros que me permitiram viajar com eles, a uma parte do mundo que amo, e que espero em breve regressar e nessa altura as recordações de tudo o que aqui li também farão parte dessa viagem.
Obrigada por nos deixarem acompanhar-vos nesta viagem. Foram uns companheiros espectaculares que nos fizeram rir imenso com as vossas aventuras e do Falcon.
Fecha-se um ciclo, mas começamos outro.
Nós por cá continuamos a acompanhar os vosso trabalho e aguardamos a próxima viagem.
Besos aos três muchachos. Buen viaje!
Por favor tragam o falconito!!!!
Olá a todos.
Tenho seguido esta viagem desde o início, mas só hoje optei por fazer o meu comentário, pois avizinha-se o fim.
Não tenho por hábito pronunciar-me sobre uma obra de arte antes de esta estar finalizada pois, frequentemente, quando menos esperamos, o (s) ARTISTA(S)surpreendem-nos com algo de inesperado que altera por completo o significado e a intencionalidade da sua produção.
Hoje consigo dizer, finalmente, que esta viagem partilhada entre e por todos nós foi como um quadro ou uma sinfonia dia a dia retocado (a), aperfeiçoado, com momentos de crescendo e outros de “sustenido”.
Hoje, posso e quero dizer que o resultado dos esforços dos artistas (sim, por mais genial que se seja nada é construído sem ou pouco de suor)
foi este magnífico trabalho de texto,imagem, comunicação,interacção…desculpem o abuso e a apropriação, mas estamos TODOS de parabéns!!!
Um muito obrigada.
atão? acabou?
e o dia 81? e o 82?!?!
buáhhahahhhhhhh…quero mais…
ta quase…acaba hoje…dia 81…
Gui
Confesso que perdi algumas passagens!
Espero que tenham voltado a BA e encontrado o meu filho… E o Falcon?
Saludos - CM
SENHORES JORNALISTAS, EU E A MINHA ESPOSA PEDIMOS DESCULPAS POR NÃO ANDARMOS A ESCREVER AOS SENHORES, MAS OS SENHORES ESTAM SEMPRE NO NOSSO CORAÇÃO. ESTIVEMOS A VER O DIÁRIO DOS SENHORES E FICÁMOS MUITO CHOCADOS COM AS COISAS QUE UMA MENINA DONA CARLA TEM ANDADO A DIZER. CONCORDAMOS COM OS OUTROS SENHORES QUE DIZEM QUE A MENINA TEM FALTA DE RESPEITO E ANDA A HODER. OS SENHORES JORNALISTAS SAM PESSOA DE BEM, CULTOS E BEM INFORMADOS E COM BOAS RALAÇÕES E NÃO DEVIÃO DEIXAR QUE ESTAS PESSOAS SEM IDUCASSÃO ANDEM A NEVEGAR JUNTAMENTE COM AGENTE!! A MENINA EM CAUSA DISSE PALAVRAS MUITO FEIAS E OBSINAS QUE CHOCARAM MUITO A MINHA ALBERTINA!!O MENINO JORDINHO NÃO MERESSE QUE SE DIGAM COISAS DAQUELAS E QUE LHE FALEM NAQUELES TERMOS…É UM MENINO DE BOAS FAMÍLIAS E COM MUITA COLTURA E A MENINA DONA CARLA VEIO PARA ELE COM CONVERSAS DE CURTAS E CUMPRIDAS QUE NÃO SE DEVIÃO DEIXAR TER AQUI NESTES SAITES QUE TODOS VÊM E QUE TAMBÉM VÊM NO ESTRANGEIRO!!
A MENINA CARLA FALOU NUM LÁPIS AZULI E NÓS ACHAMOE QUE OS SENHORES JORNALISTAS DEVIAM UZAR ESSE LÁPIS AQUI NAS COISAS QUE A MENINA DIZ…
ESTAMOS MUITO TRISTES POR A VIAGEM TER ACABADO E QUERÍAMOS SABER QUANDO É QUE OS SENHORES XEGAM AO AIROPORTO PARA OS IRMOS ARRECEBER COM OS DA NOSSA TERRA QUE ESTAM A VIR DE CAMINETA NUMA ESCURSÃO DE REFORMADOS E DE PROPÉSITE!!
IAM PARA LORETE DO MAR MAS ARREPIARAM O CAMINHO.
A NOSSA JORDANA JÁ NASCEU E É UMA MENINA MUITO BUNITA!!DÁ ARES AO SENHOR LUÍS, O SENHOR QUE DESCULPE O ABUSO, MAS A NATUREZA É ASSIM MESMO!!
A MINHA ALBERTINA ESTÁ-ME A CHAMAR, DIZ QUE EU ESTOU A GASTAR MUITO SAITE POR ISSO VOU-ME IMBORA, COM MUITA SAUDADE QUE JÁ SINTO!
UM GRANDE ABRASSO DOS VOSSOS ALBANO, ALBERTINA E JORDANA.