Dia 81
As viagens nunca são o que planeamos. As viagens nunca são viagens se as planearmos geometricamente e as cumprirmos como às ordens de um comandante de excursão. As viagens são olhares. E os olhares não se planeiam. As viagens são esquinas. Nunca sabemos o que está para lá. As viagens são dureza. E são leveza. A leveza mais leve do mundo. As viagens não são longitude e latitude, meridianos e ângulos, perpendiculares e códigos postais. Isso é outra coisa. Isso são graus e traços a compasso e as fronteiras que o mundo tem.
As viagens são os pedaços de mundo, que se recolhem nos pontos inexactos e improváveis onde as pessoas se cruzam com as pessoas, deixando com elas qualquer coisa de nós, transportando nós qualquer coisa delas, em silêncios, em palavras, em gestos, em sorrisos, em coisas simples, indetermináveis, determinantes, parando em movimento, parando o movimento do comboio global e mecânico onde seguem os passageiros do quotidiano. As viagens são a alegria absoluta. E são desalento e desespero e imprevisibilidades e cansaço e força que se encontra. E saber que no dia seguinte não sabemos o caminho. E saber que há um recomeço de tudo, de tudo quanto está por ver, por saber, por experimentar, por conhecer. Viagem que é viagem só começa, nunca termina, entranha-se, adquire vida própria e, dentro, viaja. E, dentro, viaja muito depois de termos chegado.
As viagens somos nós. As viagens são sempre a nós, aos nossos confins, aos sítios de nós onde ainda não tínhamos estado. Quanto mais conhecemos do mundo, mais ele se torna maior. E nisso não existe maior grandeza.
É por isso que esta viagem não acaba aqui. Recusamos que acabe aqui e assim. Redundante, pois, dizer que o Estação do Calor vai continuar a ser um espaço de viagem, sem rota traçada, mas com longo caminho para andar. Há uma série de reportagens, que iremos publicar neste site e na revista Visão. E há ainda muito, muito, muito para ver. Será exactamente aquilo em que se transformar.
E, mesmo correndo o risco de parecermos um jogador de futebol perante a taça, queremos agradecer a todos quantos continuam a acreditar na raíz quadrada do homem, em todos os que sabem que Chagall não é o nome de código de uma célula terrorista, que os caminhos feitos são infinitamente menores do que aqueles que estão por fazer, que os países não se medem aos palmos, que a grandeza é feita de coisas pequenas, que as frases têm pontos, antecedidos de vírgulas, a viajar para um parágrafo, que simplesmente procura outra frase.
Um abraço do tamanho do mundo para todos quanto viajaram connosco. Um abraço especial para aqueles que sabem que nós sabemos que estiveram dia e noite connosco, que foram ânimo no nosso desânimo, alegria na nossa alegria, solução no nosso problema.
Para resumir:
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Dia 53
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Que despertar maravilhoso. Das poucas horas de sono que foi possível ter a bordo do Falcon, não sei porquê acordei com uma dor lancinante nas costas. Tirando o saco cama com dificuldades, destapando uma toalha de banho que andava por ali nas traseiras, por cima do pneu sobressalente do carro, estava o elemento causador, coisa que não tinha reparado na noite anterior quando tentei fazer com que fosse possível pelo menos esticar os pés.
Ler artigo completoDia 52
Está na hora de partir para outro sítio onde já estivémos, para então partir definitivamente para o Chile, outro Chile que não Punta Arenas, onde tínhamos combinado encontro com Gérman, que estava a tratava diligentemente de nos marcar uma viagem, de preferência grátis, através da sua agência, de Puerto Natales para Puerto Montt.
Ler artigo completoDia 51
Gostamos de Ushuaia? Gostamos ou não gostamos? Estamos ou não indecisos sobre um dos lugares mais bonitos do mundo bonitos do mundo, do seu fim, ou as consequências da sua promoção turistica? Gostamos das montanhas antárctidas que abraçam a cidade gentilmente, imensas, de outro mundo, bem diferente do que o mercado de Ushuaia anuncia? Gostamos da própria cidade, outrora minúscula, depois tão pequena, hoje a espreguiçar-se para onde pode, amontoando-se casa sobre casa como uma favela por sujar?
Ler artigo completoDia 51 e 52
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NOS PRÓXIMOS DOIS DIAS, VAMOS ESTAR SEM ACESSO À INTERNET. PELO QUE NÃO SERÁ POSSÍVEL ACTUALIZAR A ESTAÇÃO DO CALOR. VOLTAREMOS EM FORÇA NA SEGUNDA-FEIRA. PARA CITAR JÁ NÃO ME LEMBRO BEM QUEM, MAS ACHO QUE ERA DA CONSTRUÇÃO CIVIL: P.F. AGUENTEM E NÃO CHOREM!!!
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